Formação

Estou na crise dos 30

A crise abriu novas possibilidades na vida

30 anosA revolta dos 18 parece passado e a força de decisão dos 20 parece estar enfraquecendo. Duas horas na esteira já não queimam a mesma quantidade de calorias que há alguns anos queimava. Seus melhores amigos o convidam para festas com “brigadeiros e beijinhos”, isso mesmo, o filho dele está completando três anos e você é o padrinho. Na Igreja, você não se inscreve nos encontros de “jovens” (pois parece que estes têm superlotação da galera ‘teen’), ao mesmo tempo, não está comprometido o bastante para frequentar os encontros de casais. Bem-vindo (a) à crise dos 30 anos!

Mas há aqueles que estão bem no corpo, estão super-saudáveis, as rugas nem ameaçaram aparecer. Já tiveram o primeiro filho, realizaram aventuras, viagens, alcançaram estabilidade financeira e são frequentadores assíduos dos encontros de casais. Eles têm vida social satisfatória. Porém, se pegam questionando sobre o sentido da vida. Será que se eu tivesse deixado para ter casado mais tarde não teria aproveitado mais a vida? Tendo realizado tudo isso, porque ainda me sinto incompleto, insatisfeito? Será que não assumi responsabilidades demais? Bem-vindo (a) à crise dos 30 anos!

Sem querer colocar mais uma divisão em nosso desenvolvimento humano ou sentenciá-lo a viver algo só porque bateu o ponteiro do relógio biológico, todos nós, querendo ou não, entraremos em um momento de profundo questionamento existencial. Muitos vivem isso por volta dos 30 anos. Alguns mais cedo outros mais tarde. É como se, em nosso interior, batesse o sino do “e se…”. “E se” eu tivesse levado a sério aquele amor? Será que estaria casado, com filhos e feliz da vida? “E se” eu não tivesse ido a fundo demais naquela relação? Será que não estaria divorciado hoje? E se, e se… Fase de questionamentos, reflexões, angústias e fortes decisões.

Muitos vivem um drama terrível ao ver que deixou para trás as decisões que a vida lhe pediu; nessa hora, sentem-se meio que “sobrando”. Outros se sentem culpados por terem tomado decisões erradas. Assim, chega a hora de se confrontar com a própria verdade e assim assumir posturas frente a esses questionamentos.

Fico pensando o quanto precisamos ter olhar de esperança nessa hora. E se o conforta saber, foi nos auge dos 30 anos que um grande Homem resolveu dar sua grande resposta de vida. Aos 30 anos, Ele resolveu sair de casa e cumprir Seus objetivos. Foi capaz de fazer as mais sólidas amizades, amizades de literalmente dar a vida! Na idade balzaquiana, ele foi capaz de enfrentar seus medos e levar a bom termo o que trazia no coração. Foi nessa idade que Ele realizou Suas maiores façanhas enquanto homem e enquanto Deus. Sim, eu falo de Jesus. Aos 30 anos, Ele iniciou uma nova e determinada vida, soube colocar-se no mundo de uma maneira inovadora.

Acredito que temos para quem olhar e assim aproveitarmos este tempo de profunda reflexão e dar boas respostas. A crise dos 30 anos ( aqui pode ser aos 20, aos 35, aos 50), pode ser um momento, em que cansados de fazer, paramos para pensar e daí percebemos o absurdo em que podemos estar vivendo. Um absurdo de ter separado nosso eu interior do mundo exterior, e ter nos fragmentado em meio as demandas da vida. Nesta hora chegar a conclusão de que podemos buscar a inteireza é possível.

Podemos escolher entre dois caminhos, para “curar” essa fragmentação:

a) pensarmos a respeito de nossas vidas e traçarmos objetivos alinhados aos nossos desejos, sonhos e ideal de vida.
b) ficarmos perdidos diante da possibilidade de pensar. Nos perder no que foi feito, deixar a culpa ser a senhora de nossa vida, ou a frustração ditar nosso futuro.

Acredito que a segunda possibilidade tem sido a mais comum, pois temos dificuldade de pensar, já queremos logo olhar para o que foi feito e para o que precisa ser feito. Ai entra a culpa ou a frustração, nem se quer gastamos tempo para pensar nas inúmeras possibilidades que a vida nos reserva.

Não nos encaixamos nos grupos e já no sentenciamos a ser “sobra”. Ao contrário acredito que ai encontramos a oportunidade de criar novos grupos. Conheço duas realidades dentro da Igreja que vejo que os jovens de 30 anos souberam se adaptar. Uma experiência foi em Curitiba e outra em BH, ou seja eles não se viam nos tradicionais grupos de jovens, tanto quanto a faixa etária quanto a temática abordada neles, daí fundaram um grupo para estes jovens de 30 e poucos anos que tem vivencias diferentes, estão em outras questões a serem elaboradas. Te Digo estão dando show de bola. A crise abriu novas possibilidades na vida.

Quando pensamos, podemos nos dar conta de que existe uma ausência de motivo profundo para se viver e o desespero pode querer tomar conta de nós de tal maneira que temos as mais variadas reações, até mesmo a recusa pelo enfrentamento do mundo e suas exigências. O vazio pode querer falar mais alto. Mas aproveite que você já tem 30 anos e pode aprender com o passado, suas respostas, e maneiras de enfrentar a vida até aqui pode te ajudar. Encare os erros com coragem e determinação. Pode aproveitar a maturidade atual para pensar nos projetos que ainda podem ser feitos. Conte com a paciência de quem tem uma história e que não precisa tomar uma decisão eterna para amanha e nem sairá ganhando muita coisa se criar uma revolta contra tudo e todos.

A escolha pela felicidade requer a coragem de um enfrentamento com aquilo que nos incomoda. Como Jesus você pode usar a experiência de uma vida para encarar a verdade de frente e ter uma causa pela qual vale a pena lutar! Um grande amor, uma grande causa, um grande sonho! Sonhe grande! Acredite ! Ouse!

Gosto da palavra crise, e não vejo nela um sentido negativo. Pois para mim a crise é sinal de transição, saída e movimento. Como você a encara é que determina como dela você sairá! Com quem você a viverá também faz grande diferença, sua esposa, seus amigos próximos com quem você livremente fala de suas angústias podem te ajudar a alargar sua visão. Não deixando ser museu ou seja com uma visão presa ao passado e nem te tornar protagonista de um filme do Arnold Schwarzenegger ou seja Exterminador do futuro. Um bom diretor espiritual e em alguns casos até um bom terapeuta possa estar com você neste momento de “redirecionamento”.

Parar, se perceber e avançar este é o segredo! E termino este post com a fala do Papa Francisco:“Eu desafio você: Diga não a uma cultura efêmera, superficial e descartável, uma cultura que assume que você não é forte, que você não é capaz de enfrentar grandes desafios em sua vida!Pense grande! Como Beato Pier Giorgio Frassati disse uma vez: “Para viver sem fé, não ter patrimônio para defender, para deixar de lutar constantemente para defender a verdade: isso não é viver.É fingir que se vive. Nós nunca devemos fingir que vivemos mas realmente viver”.

Adriano Gonçalves
Fonte: Canção Nova


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