Igreja

EU SOU DA IMACULADA

mariliaO testemunho de meus encontros pessoais com a Virgem Maria

 

Penso que cada um tem dentro de si uma imagem e sentimento diferentes em relação a Deus e a Jesus Cristo.  Não está ligado ao que você já estudou, analisou, ou se leu a bíblia inteira mais de três vezes. Tem a ver com uma experiência pessoal. Com aquele dia em que você se permitiu abandonar-se nesse mistério. Com aquele momento em que foi capaz de dizer com humildade algo como “entra na minha vida”, como resposta para o “Eis que estou à porta e bato”.

Vale o mesmo para um relacionamento íntimo com a Mãe do nosso Senhor.  Relacionamento esse que eu não tinha. Porque as relações, como as de amizade, precisam ser alimentadas, cuidadas, lembradas. Eu costumava observar pessoas devotas de Maria com admiração, mas como algo tão distante do meu mundo! Queria sentir aquele amor inflamado em meu peito, sentir a confiança de que essa Mãe se importava comigo e estava atenta às minhas preocupações. Mas eu não sentia, eu não conhecia, porque eu não tinha essa experiência. E nem sequer me sabia tão necessitada dessa afeição. Foram três anos de caminhada até começarem as visualizações. Conto aqui essa linda história.

 

“Volte”

Eu estava afastada da igreja. Havia mudado de cidade e a nova rotina andava desorganizada. Até que um dia, caminhando no parque, veio-me a lembrança de minha avó. Minha amada avó, que cuidou de mim, morou em nossa casa, foi exemplo, e era quem me levava à igreja desde os meus três anos de idade. Essa lembrança doeu forte por que: essa mulher nunca perdeu uma missa aos domingos! Estava sempre com sua listinha de nomes das almas por quem ela deveria orar naquele final de semana. E como assim eu já estava a um ano distante? E tudo o que ela me ensinou? E mais: agora que ela está no céu, quem estaria orando por ela?

Essas reflexões fizeram com que eu caísse em um choro incontrolável e começasse a rezar desesperadamente. Sinto que foi neste dia que fiz a primeira oração verdadeiramente profunda. Eu estava no chão, com um coração quebrantado, sentia-me humilhada até os ossos. Lancei ao céu um desafio quando disse:

– Nossa Senhora. A Senhora me ouve? Mulher, se essa a oração não chegar até o céu hoje, então é porque nenhuma oração chega!

No dia seguinte, acordei com um telefonema de uma amiga, dizendo que havia sonhado com essa minha avó. Disse que ela me procurava por todos os lados e não me via, então pedia para me deixar um recado, que era esse:

– Volta para a igreja.

 

Primeiros contatos

Meses depois, enquanto estava em uma igreja, vi uma imagem de Nossa Senhora da Paz e fiquei longo tempo em silêncio. Depois joguei algumas ideias ao vento:

– Hey, sabe o que? Queria ser sua amiga. Mas eu nunca te dei um nome. Como devo te chamar? De Aparecida? De Lourdes? De Fátima?… Sabe o que me toca de verdade? Aquela mulher forte de Nazaré. Não a vejo como uma mocinha delicada, meiguinha, de olhos azuis. Não. Eu te imagino como uma guerreira. “Temível como um exército em ordem de batalha”. Rainha dos Anjos. A Soberana. Aquela que chega e coloca ordem nas coisas. É essa minha memória afetiva, e é por isso que vou te chamar como minha Senhora de Nazaré. Você aceita?

Eu já havia quase me esquecido dessa conversa quando, três dias depois, ganhei alguns presentes e, entre eles, um lindo cartão de Nossa Senhora de Nazaré. Quais as chances? Se essa devoção nem é tão comum no Brasil. Achei delicado e ao mesmo tempo arrebatador. De uma sutileza sem tamanho. Neste dia, foi a primeira vez que essa mulher ofereceu, também a mim, o seu inesquecível “sim, eu aceito”. E haveria muitos outros a partir de então.

 

A grande intercessora

Houve um momento em minha vida em que me vi despedaçada.  Atravessava um período difícil e confuso. Emocionalmente abalada, sentia que a cada dia minhas forças se esvaíam. Fui me tornando apática com a vida, perdendo o brilho. Certo dia, acordei e ouvi uma voz que dizia claramente: “Não reze sozinha, peça ajuda”. Espantei-me, porque sabia que estava acordada, e sabia que não havia mais ninguém em meu quarto.

Imaginei mil maneiras de pedir ajuda, mesmo que eu tivesse de procurar um exorcista. Horas depois, compartilhei esse episódio com um amigo, que me disse: “Talvez, o sentido dessa mensagem seja pedir ajuda a Nossa Senhora. Reze o terço”.

Como eu não estava habituada a essa prática, sequer encontrei um terço para fazer a oração e adormeci contando nos dedos. No dia seguinte, inesperadamente, porque não era nenhuma data especial, fui presenteada com um terço. Tive ataques de risos, porque quase pude ouvir daqui: “Façamos isso direito”.

 

Ela me salvou

Nessa mesma semana, tive uma das piores experiências sobrenaturais que um ser humano pode ter. E depois disso, a melhor. Eu sentia que essa apatia, esse desânimo existencial não estavam partindo de mim, havia alguma coisa estranha acontecendo. E quando colocava músicas de Louvor, piorava, eu começava a estremecer. Sozinha em meu quarto, senti que não estava só: Era como se houvesse mais 20 pessoas ali, gritando comigo, tentando me tirar a vida. Eu não podia vê-los, mas podia senti-los.

Quis gritar, mas como explicar a alguém? Tinha medo dos julgamentos, mas, principalmente, de estar enlouquecendo, perdendo minha sanidade mental. Foi quando corri até meu terço e comecei a recitá-lo enquanto caía em lágrimas de desespero. Aos soluços, eu gritei “Nossa Senhora, venha aqui a agora!”.

Nesse momento, senti algo pesado ser colocado sobre mim, como um cobertor em torno do meu corpo, estava gelado. E tudo silenciou. Não havia mais todos aqueles barulhos em meu quarto. Eles todos – seja lá o que sejam – foram embora.

Quando tive coragem de abrir os olhos, eu vi: pequenas chamas de fogo pelo meu quarto. Sabia não estar dormindo, mas também não era como estar absolutamente acordada. Minha boca dizia algo que eu não entendia. A visão não era como em um sonho, e se o quarto não estava pegando fogo verdadeiramente, o que seria aquilo tudo diante dos meus olhos?

Essa foi a minha primeira experiência com o Espírito Santo. Afinal, você sabe: Ela é a Esposa do Espírito. Nunca está sozinha.

 

O poder do Rosário

Desde então, houve ainda muitas outras experiências belíssimas, como conversões de pessoas, intercessões poderosas, mas, como esse texto não é um livro, faço aqui alguns recortes. Estamos agora em novembro de 2016, ou seja: neste mês que escrevo.

Há poucas semanas, embora eu exalasse serenidade plena no ambiente em que estava, ninguém poderia supor que por dentro eu estava tendo um chilique. Estava irritada com algumas pessoas. Normalmente, minha resposta a isso seria fechar a expressão e/ou ser bastante ríspida nas palavras. Mas, seria incoerência demais para uma vocacionada da Comunidade Católica Shalom. Que postura incompatível com uma ministra da paz!

Quando pertencemos, de algum modo, a uma comunidade, não somos poupados de sentir estresse. Ao contrário, parece que as irritações até aumentam. O que muda é: o que fazer diante disso? Como eu me comporto frente a essa situação? Como ter autodomínio quando sinto que há algum risco de perder o controle emocional?

Fui embora imediatamente e, em minha casa, no silêncio, acendi uma vela e recitei todo o Rosário. Nas contas do “Pai-Nosso”, eu cantava também uma música. Aquela da irmã Kelly Patrícia: Regaço Acolhedor. Porque eu me sentia tão cansada emocionalmente, tão cansada. Se eu tivesse que fazer um pedido naquela noite seria esse: Me deixa descansar um pouco? Posso deitar aqui em seu colo de Mãe? Só um pouquinho, como criança, porque há dias em que essa vida adulta me consome demais.

No dia seguinte, em um momento de adoração ao Santíssimo Sacramento, voltei a cantar a mesma música, por gratidão, por sentir que minha alma, de fato, retornara a sua paz. Quando abri a bíblia para lectio divina, meus olhos ficaram fixos em um paragrafo da página que se abriu. Senti que deveria lê-lo em voz alta. E a passagem bíblica era essa:

– Seus filhinhos serão carregados no colo e acariciados no regaço. Como uma criança que a mãe consola.  (Isaías 66, 12 e 13).

 

Estrela da nova evangelização

No último final de semana, participei do retiro final dos vocacionados da Comunidade Shalom. Duas pessoas oravam por mim quando, de repente, ficaram emocionadas diante de uma visualização. Nós três tivemos visualizações ao mesmo tempo, mas cada uma enxergou uma pequena parte com mais nitidez. Uma delas relatou ter visto uma espécie de “cabana” sendo formada por um manto gigante, azul escuro. Dentro dela, havia uma criancinha. A outra, conseguia ver apenas os detalhes do manto, repleto de estrelas. Eu vi a criancinha com detalhes, dentro dessa cabana, e me reconheci. Sou eu.

Eu não conhecia aquelas pessoas e por isso elas não sabiam dessa minha experiência da semana anterior (relatada no tópico acima). Essa nova menção a uma “criancinha” que a mãe protege, entrou como brasa em meu coração.  A quantidade de estrelas me remete a Nossa Senhora de Guadalupe, cuja história é fantástica (pesquisem), mas também me lembrei da expressão “estrela da evangelização”. Outro entendimento que tivemos foi que: várias coisas e situações já tentaram me tirar dessa “cabaninha” protetora, arrancar-me dali a qualquer custo. Ao custo da minha Paz. Mas Ela vem. Ela sempre vem. E nas situações de perigo, esse manto cresce ainda mais. E mãe não é mesmo assim?

Lembrei-me de minha mãe, essa aqui da Terra. Na minha adolescência, houve uma vez em que me viu ser agredida verbalmente e virou uma “leoa”. Não admite. O instinto materno de proteção, de cuidado, grita alto. Tão alto que é quase possível ouvir um ruído ensurdecedor: “não mecha com a minha filha!!!”. E então estive a pensar sobre essas situações que ao longo da história tentaram me afastar da Virgem. Imagina a postura Dela? Deve ter ficado enorme. Maria é mulher de flores, mas também de ferro. Ela é a Augusta Rainha, e a seu comando os anjos batalham.

Minha Senhora. Minha Mãe. Minha melhor amiga. Ou “acaso não sabeis? Eu sou da Imaculada”.

 

** Marília é vocacionada da Comunidade Shalom, missão Perdizes, em São Paulo.


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *