Formação

Família: primeira e principal transmissora da fé

Enquanto a família é fonte de vida, ela é também a primeira e principal responsável pela transmissão do mistério do Deus Salvador aos filhos.

O eterno desígnio de salvar os homens, em e por Cristo, foi revelado e realizado plenamente pelo Verbo Encarnado, especialmente pelo mistério pascal de sua morte, ressurreição, ascensão e envio do Espírito Santo.
Em Cristo, portanto, a revelação do mistério de Deus foi perfeita e definitiva, de maneira que já não haverá nenhuma outra revelação.

“Porque em dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é a sua Palavra, e que não tem outra, tudo nos falou de uma vez nesta só Palavra” (São João da Cruz).

Esta revelação foi entregue à Igreja, que é assistida sempre pelo Espírito Santo para levar, de modo verdadeiro e indefectível, a salvação de Deus a todos os homens de todos os tempos e culturas. A Igreja não deixou, nem deixará jamais, de anunciar este mistério, sobretudo pelo ministério do Papa e dos Bispos, como principais responsáveis. Desta responsabilidade participam também todos os fiéis cristãos, em virtude da missão profética que receberam de Cristo no Batismo.

Quando este anúncio é acolhido, provoca a conversão e a fé. Esta sempre é um dom gratuito de Deus, mas requer a resposta e colaboração humana de abertura e acolhida. Ordinariamente, não é possível a fé sem um anúncio explícito dos conteúdos revelados; só em casos excepcionais, Deus infunde a um adulto diretamente a fé sem anúncio prévio de seu mistério. De por si o Evangelho exige primeiro o anúncio explícito do mistério de Deus, e como conseqüência a sua acolhida, a conversão, a profissão de fé e o Batismo.

A família cristã, “Igreja doméstica”, de modo privilegiado, participa desta missão. Enquanto a família é fonte de vida, ela é também a primeira e principal responsável pela transmissão do mistério do Deus Salvador aos filhos. Assim, os pais são para seus filhos os autênticos anunciadores de sua fé. Os grandes santos, de modo geral, nasceram no seio de uma família profundamente cristã. É um fato que nos países onde a fé foi perseguida durante muito tempo, esta se conservou e foi transmitida pelo ministério dos pais.

Na transmissão da fé a seus filhos, a família nem é auto-suficiente nem autônoma. Ela precisa estar em íntima relação com a paróquia e a escola, sobretudo se é católica, que frequentam seus filhos. A catequese vivencial, talvez menos sistemática (na família) tem a necessidade de ser complementada por uma catequese mais sistemática paroquial ou da escola.

Já no início do cristianismo, a família cristã aparece como transmissora da fé. Eram os pais, de quem o Bispo, Pastor da comunidade, acolhia o pedido do Batismo para os filhos. Esta função dos pais era tão importante que, em seguida, a família se tornou o lugar por excelência, onde a Igreja transmitia a fé. Continua assim sendo em muitos países de missão; enquanto em outras nações de grande tradição cristã Europa, Estados Unidos, Canadá etc., a família perdeu com freqüência este papel, com a conseguinte deterioração na fé e prática religiosa.

A recuperação de uma Igreja pujante e evangelizadora passa pela restauração da família como instituição básica para transmitir a fé. Por isso, em ditos países, a família cristã tem hoje um urgente campo de ação, sobretudo para com outras famílias não cristãs ou afastadas da prática religiosa. Os avós, os filhos e outros familiares cristãos estão urgidos a transmitir a fé aos pais e parentes.

Deus Uno e Trino

O Mistério de Deus Uno e Trino se encontra no centro da família cristã. Os pais transmitem aos filhos esta verdade central de sua fé, na medida em que os incorporam à vida da família.

Deus é “Aquele que é” e “Deus é amor”. Estes dois nomes estão tão unidos que manifestam a própria essência divina, que ultrapassa toda inteligência criada. Por isso, só Deus pode outorgar-nos um conhecimento reto e pleno de Si mesmo, revelando-se como Pai, Filho e Espírito Santo. Desta vida divina participamos já, pela fé de modo incipiente na terra, e depois, de modo pleno pela visão de Deus, na vida eterna.

Graças à Revelação, podemos professar que Deus Pai em toda a eternidade engendra o Filho, e que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho como Amor sempiterno de ambos. As três Pessoas divinas, portanto, são eternas e iguais entre si; assim a vida e a felicidade de Deus são participadas totalmente por cada uma delas. Por isso, sempre é necessário venerar a divina unidade na Trindade e a Trindade na unidade.

Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, revelou-nos este Mistério, enquanto nos manifestou o plano de Deus, isto é: que todos nós participamos, como filhos da comunhão de amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

O próprio Jesus Cristo, quando roga ao Pai que “todos sejam um como nós também somos um” (Jo 17,21-22), nos faz entender uma certa semelhança entre a união misteriosa que une as Pessoas divinas, e a união dos filhos de Deus, unidos na verdade e na caridade. Esta semelhança mostra que o homem não pode encontrar sua própria plenitude se não na entrega de si mesmo aos demais. Esta semelhança com Deus, pela entrega de si mesmo, pela unidade e pelo amor, é a perfeição da família.

O matrimônio, que implica uma entrega total dos esposos entre si e dos pais para com os filhos, é, por isso, um perfeito reflexo da comunhão da Trindade. Assim, a dinâmica da vida em família tem que manifestar esta união íntima entre as Pessoas divinas.
Toda invocação, pois, à Santíssima Trindade em família, tem que levar a todos os seus membros a renovar os laços de comunhão entre si e a uma mais generosa comunicação de seus dons a outras famílias.

Revista Shalom Maná – Julho/2006


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