Formação

Frei Patrício: Na terra e no céu com a Virgem Maria

A festa da Assunção da Vigem Maria é uma oportunidade única para refletir sobre a grandeza da mãe de Deus, da mulher que Deus escolheu para dar a vida a Jesus, e, por sintonia, para todas as mulheres do mundo que tem uma missão única de dar a vida, de cuidar da vida, de defendê-la, enfim, de dar a vida para a vida.

Não podemos perder a nossa reflexão que hoje nos ajuda a fixar os olhos sobre a ternura de Deus, que nunca nos deixará sozinhos. Devemos compreender que a vida, desde o seu início até o seu ocaso, deve ser defendida com todas as forças. A cultura da vida nasce no início da criação do ser humano, e nunca vai terminar, porque cremos na vida aqui e também depois da morte, visto que estamos no caminho para a vida eterna.

Esta é uma festa que nos recorda como devemos viver aqui e agora, para termos, um dia, a vida plena. A plenitude da vida nunca pode ser vivida sozinho, mas sempre em comunhão com todos. Dessa maneira, criamos um novo mundo, uma nova realidade. Assim, estaremos construindo a terra nova que nos é anunciada no livro do Apocalipse. Devemos caminhar com confiança, com os olhos fixos em Deus e na mãe de Jesus.

Todas as vocações em Maria

Em Maria, todas as vocações se resumem a de mãe, de virgem, de consagrada, de nômade e peregrina, de esposa. Não podemos nos fechar em nós mesmos e nem sermos melhores que os outros, mas todos somos chamados a sermos santos. Uma santidade que não pode nos afastar dos nossos deveres cotidianos, mas sim nos lançar cada vez mais no anúncio do Evangelho.

Vivemos na era dos “robôs” que servem, se quebram e que, depois, jogamos no lixo, mas o ser humano nunca poderá ser um robô descartável que se joga fora, ele será sempre à imagem de Deus desde o início até o fim de sua vida.

A festa da Assunção é a bela festa do corpo humano que é templo e sacrário do amor de Deus e do amor humano. O nosso corpo, que passa pelas várias fases da vida – infância, juventude, maturidade e velhice –, nunca perde a sua beleza interior e sempre canta o seu Magnificat de amor e de ação de graças.

É tempo de nos contemplarmos em dois espelhos: o espelho que temos sempre conosco, vendo que o nosso corpo envelhece e que tem necessidade de atenção, de cura; e o espelho de Deus, Ele que nunca envelhece, sabendo que em nós e nos outros encontramos sempre a imagem de Deus.
Boa festa da Assunção! Que Maria, nossa mãe, nos tome pela mão e nos conduza a Jesus, que nos leva ao Pai, pelo Espírito Santo.

Abriu-se o templo de Deus

Houve um tempo em que eu considerava o livro do Apocalipse difícil, antipático e monótono. Depois, com a luz do Espírito Santo, compreendi – e estou convencido – que é o livro mais belo, fácil e que nos lança no futuro com forte esperança. O texto de hoje da festa da Assunção da Virgem Maria se abre com estas palavras “Abriu-se o Templo…”

Dentro do Templo, há a Arca da Aliança, que Deus continuamente renova com o Seu povo. E apareceu no céu um grande sinal que aparentemente é da derrota, porque a força do dragão tenta matar tanto a mãe quanto o filho, mas a força de Deus vai ser sempre vencedora. O dragão será derrotado para sempre – o demônio –, o filho nos salva e a mãe será salva – Jesus e Virgem Maria, Sua mãe.

Como é belo ver o deserto do mal desaparecer e em seu lugar aparecer o jardim fértil da paz e do amor, da bondade e da solidariedade. Vivemos em um mundo em que o pessimismo e o mal parecem mais fortes, mas é somente uma ilusão, o bem era e sempre será mais forte. Crer nisto é crer na Salvação. “Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: ‘Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo’” (Ap 12,10).

Sempre com Cristo

O apóstolo Paulo, depois de ter passado pela noite, pelo deserto, pelas dificuldades e pela perseguição, está convencido de que a vitória de Jesus na Ressurreição será também a nossa vitória para sempre. Contemplar Jesus como primícias da Ressurreição é Nele contemplar também a nossa vitória. Mas qual será o último inimigo a ser destruído?

A morte. Por quê?

A morte seja física, mas especialmente espiritual, é a última luta que devemos travar todos os dias. Quando, porém, a morte pensa ter vencido, é derrotada. A morte espiritual é derrotada com o perdão e a misericórdia de Deus, e a morte física com a Ressurreição. Contemplar a Virgem Maria, que, como diz a nossa fé, morreu, mas não sofreu a corrupção do corpo, porque os anjos a levaram para o céu, é contemplar a nossa vitória sobre toda as nossas limitações humanas e espirituais. Os Padres da Igreja, com uma belíssima expressão, não gostam de falar da morte de Maria, mas falam do seu feliz sono; é um gesto de amor para com “Maria que nos oferece uma nova visão da morte. Um sono, depois do qual nós despertaremos felizes no céu.”

Sempre em serviço

Maria, depois de ter recebido o anúncio do anjo, de ter vencido o medo da resposta, e de ter dito o seu sim, se coloca a caminho para ajudar a sua prima Isabel – a vida é alegria de serviço. É no serviço que está toda a nossa felicidade.

Hoje também se celebra o dia das vocações religiosas. Quem são os religiosos, as consagradas pelos votos? Homens e mulheres em serviço permanente, sem férias, sem descanso, servem o Senhor na ação, servem-No na oração, mas sempre em serviço. Uma vida que não serve nem a Deus e nem aos outros é inútil, é desperdício.

É muito importante poder compreender que o pecado que fere a dignidade do ser humano é o egoísmo, que faz com que o homem queira viver somente fechado em si mesmo, sem uma porta aberta para a humanidade sofredora. Maria serviu na terra, indo e vindo no auxílio dos outros e serve agora no céu intercedendo por nós. Por isso que, quando a invocamos, dizemos “rogai por nós”.

Escola de oração

Para que os desertos de nossas vidas se tornem jardins floridos e belos, podemos contar com o auxílio daquela que foi a porta para que o divino se religasse ao homem, Maria. Ela que pisou a cabeça da serpente, mostrando-nos que, cheios da graça de Deus, podemos vencer todo e qualquer pecado, é também testemunha de que o serviço aos irmãos edifica e dá frutos de vida eterna.

No serviço, saímos de nós mesmos e estamos sempre na presença de Cristo, assim como Maria que O carregava no ventre e corria ao encontro de Isabel apressadamente. No entanto, “quantas vezes nos sentimos instigados a deter-nos na comodidade da margem! Mas o Senhor chama-nos a navegar pelo mar dentro e lançar as redes em águas mais profundas (cf. Lc 5,4). Convida-nos a gastar a nossa vida ao seu serviço. Agarrados a Ele, temos a coragem de colocar todos os nossos carismas ao serviço dos outros.” (Gaudete et Exsultate, 24)


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