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Frei Patrício: O Espírito Santo é sempre criativo e atual

No Pentecostes, recebe-se uma ordem por parte de Deus: sair ao descoberto, não ter mais medo, ir pelo mundo afora e anunciar para todos que Jesus não está morto, e que, na verdade, está vivo, Ressuscitado!

Nunca nos cansamos de celebrar as festas que são importantes na nossa vida, na Igreja, no mundo. Soam sempre cheias de novidades, de canto, de esperança. Nunca vi a Igreja se cansar de celebrar o Natal, a Páscoa, ou as festas de Maria. Todos os anos celebramos e nunca da mesma maneira. Há sempre um toque novo de alegria e de luz. Assim é o nosso aniversário, sempre com uma velinha a mais, uma flor diferente e alguém que canta os parabéns com um tom diferente e mais festivo. Mas se há uma festa, na vida da igreja, que tem um sabor diferente e que nos surpreende sempre é o Pentecostes.

Esta festa tem algo que mexe conosco, com os nossos sentimentos, e nos deixa sempre surpresos pela sua atualidade e novidade. A Igreja viveu o primeiro Pentecostes lá no Cenáculo de Jerusalém, onde estavam todos encerrados por medo dos judeus e por medo de ter o mesmo fim de Jesus, ou seja, de morrerem todos crucificados. Estavam em oração junto a Maria, quando se manifestou o mistério inaudito: a vinda do Espírito Santo, que vence todos os medos. O Pentecostes é a vitória para sempre sobre o medo. Seja qual for a sua causa, ele é, então, destruído, e a coragem, para dizê-lo com uma palavra que é bíblica, a parresia, igual à coragem e verdade, começa a fazer parte da vida de cada cristão.

Nestes últimos tempos da Igreja, somos espectadores desta vitória sobre seus medos internos e externos. Muitos falsos profetas querem dominá-la com o medo, enterrando problemas, “tapando o sol com a peneira”, fazendo de conta que tudo vai mal ou que tudo vai bem. A Igreja o vence com a luz do Espírito Santo, sabendo assim, discernir o que vai mal e, com força, tentar vencê-lo, e também sabe discernir o que vai bem e, com a mesma força, tentar salvá- lo e protegê-lo.

Uma nova evangelização

É tempo precioso o que estamos vivendo, o vento e o fogo do Espírito Santo descobrem os telhados de nossas cabeças, para infundir a eterna sabedoria que não conhece ocaso; os missionários continuam a ser enviados pelo mundo afora, tentando levar somente o Evangelho e com a força da paz da Cruz de Cristo chamar todos à conversão. Uma nova evangelização mais ousada, mais kerigmática, e mais humana e divina está penetrando em nossas igrejas, a fim de que os evangelizadores, fortes, com o Espírito de Deus, e inculturando o Evangelho onde forem enviados, sejam capazes de não trair a genuína mensagem de Jesus de Nazaré.

O Espírito Santo não envelhece, é eterno com Sua criatividade e credibilidade; está sempre em movimento na busca de pousar, para consagrar-Se sobre os novos profetas, pastores, missionários. No Pentecostes, recebe-se uma ordem por parte de Deus: sair ao descoberto, não ter mais medo, ir pelo mundo afora e anunciar para todos que Jesus não está morto, e que, na verdade, está vivo, Ressuscitado e que o Seu amor venceu para sempre o medo do silêncio e da morte.

A língua de Deus tem a gramática do amor

Este texto dos Atos dos Apóstolos tem uma importância muito grande no caminho da Igreja. Podemos colocar em evidência três pontos que podem nos ajudar: o primeiro deles trata da realização das promessas de Jesus, que enviaria o Espírito Santo como advogado, defensor e consolador, e que, antes disso, era necessário que Ele fosse embora. Os discípulos não entenderam esta mensagem, mas, com o Pentecostes, compreendem que as palavras de Jesus se realizaram.

O segundo, a seu turno, diz respeito ao chamado à universalidade: estão reunidos todos os povos que vêm dos lugares mais diferentes para celebrar a festa em Jerusalém e encontram a grande novidade da comunidade de Jesus, que toma consciência da sua missão, e todos ficam maravilhados, escutando com alegria que Jesus, o profeta enviado por Deus, morreu, mas está vivo, Ressuscitado.

E o terceiro é o de que todos escutam na própria língua o que Pedro e os outros apóstolos anunciam. É a língua do amor que toma conta e se transforma na língua universal dos gestos, dos milagres, do testemunho, que não necessita de palavras, mas de amor para ser entendida. É preciso ler este trecho dos Atos dos Apóstolos com coração e mente abertos e de joelhos, para compreender o que Deus nos quer dizer neste momento da Igreja, sempre nova e renovada pelo Espírito Santo.

Só quem é filho de Deus escuta o Espírito Santo

O Espírito Santo, com Sua unção e força, nos faz filhos de Deus e coloca em nós o espírito de Jesus, que é amor, e paz. Não podemos continuar a ser carnais, isto é, motivados na nossa vida pelas coisas da terra. O Espírito Santo é enviado sobre nós, para que todo o nosso ser mude de caminho, de atitudes, de maneira de pensar. O Apóstolo Paulo, na sua catequese, nos coloca com as costas na parede, para que analisemos se somos de Cristo ou se ainda continuamos a ser do mundo.

A nós vêm as respostas quando verificamos nossa atitude e maneira de pensar e de agir. Como sabemos que somos de Deus? Muitas vezes, nos momentos obscuros de minha vida ou da vida da Igreja, da comunidade, volto de novo a ler com mais amor possível este Evangelho de João 14, no qual temos toda vivência do Espírito Santo na nossa vida.
Como sabemos se somos de Deus ou não? Jesus nos responde que se colocamos em prática a sua Palavra, em Comunhão com o Pai e o Espírito Santo, pertencemos a Deus; e que se não a colocamos em prática, podemos até  conhecê-la intelectualmente, mas não entra a fazer parte da nossa vida, permanece uma simples palavra.

A falta de vivência nos diz que não somos de Deus. A grande promessa de Jesus é o que está contido no versículo 26 “mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”. Nestas palavras de Jesus, temos tudo de que precisamos saber e como devemos nos comportar. É Jesus, o Mestre, que envia o Espírito Santo para que não nos percamos em inúteis discussões, mas que relembrando o que Jesus nos disse possamos colocar em prática.

Escola de oração

Devemos refletir nosso papel de cristãos na Igreja e no mundo, pedindo a Deus o seu santo Espírito, pois, assim, venceremos todos os medos que nos impedem de guardar a sua Palavra. Com isso seremos santos em cada uma de nossas atividades, evangelizando com nosso testemunho a todos ao nosso redor, como o disse São Francisco. Com as palavras do sucessor de Pedro, reflitamos: “Isto é um vigoroso apelo para todos nós. Também tu precisas de conceber a totalidade da tua vida como uma missão. Tenta fazê-lo, escutando a Deus na oração e identificando os sinais que Ele te dá. Pede sempre, ao Espírito Santo, o que espera Jesus de ti em cada momento da tua vida e em cada opção que tenhas de tomar, para discernir o lugar que isso ocupa na tua missão. E permite-Lhe plasmar em ti aquele mistério pessoal que possa refletir Jesus Cristo no mundo de hoje.” (Gaudete et Exsultate, 23).

 

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