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Frei Patrício: Páscoa é caminhar com Maria

É tempo de escutar Maria, que vai repetindo aos nossos ouvidos surdos e ao nosso coração indiferente o que ela diz nas bodas de Caná de Galileia: “fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2,5).

Iniciamos o mês de maio, e para a tradição da Igreja este mês tem um valor e um sabor todo mariano. Maria é o centro deste mês, mês das flores, da Páscoa que inunda com sua luz a vida de cada comunidade. Maria não é um apêndice devocional na vida da Igreja; ela está no seu coração. Do seu “sim” foi mudado o caminho de toda a humanidade, nela o Verbo se fez carne e veio habitar no meio de nós.

Nunca agradeceremos suficientemente a generosidade, o exemplo da Virgem Maria que, diante do chamado do Senhor, responde com prontidão, dizendo aquelas palavras que marcam para sempre a vida dela e a de todos nós: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1,38).

Maria Medianeira

Mas o nosso amor não deve ser um sentimento que vai e vem, nem um amor interesseiro que busca a si mesmo ou só pensa nas vantagens próprias, mas um amor que nos leva a imitar Maria, especialmente nas grandes virtudes da fé, da esperança e do amor. Ao mesmo tempo, devemos compreender que não é ela que opera a salvação da humanidade, e nem foi ela quem morreu na cruz por nós, mas ela é medianeira, intercessora, aquela que, no céu, reza para nós, para que as promessas de Cristo não sejam inúteis.

Hoje em dia há um devocionismo perigoso que pode nos distrair do verdadeiro amor a Virgem Maria. É verdade o que dizem os santos São Bernardo e Santa Teresa sobre o Menino Jesus, que nunca amaremos suficientemente Maria. Os ensinamentos da Igreja não diminuem a importância da Virgem Maria, mas colocam-na no seu devido lugar. Deixemos que a luz da ressurreição de Jesus ilumine a nossa vida e nos faça verdadeiros e autênticos devotos da Virgem Maria.

Muitas vezes recebo perguntas mais ou menos assim: frei, o que você acha das aparições da Virgem Maria, que chora, que fala de fim do mundo e que tudo está perdido fora e dentro da Igreja? A minha resposta é muito simples: Maria é mãe de Jesus, é mãe Daquele que é a misericórdia, e também é nossa mãe, e toda mãe que ame de verdade os seus filhos às vezes chora, por ver que estes se afastam da verdade, do bem, do amor. Às vezes, as mães nos falam dos perigos em que nos encontramos para que nós nos convertamos e sejamos fiéis à nossa vocação.

Maria, mãe de Jesus, nos chama à atenção, nos convoca a uma vida santa para que voltemos para Deus, mas ela nunca dirá algo que seja contra o Evangelho ou os ensinamentos da Igreja. Normalmente, as três recomendações que a Virgem Maria faz nas suas aparições são: oração, penitência e conversão, que são a base de toda vivência evangélica.

É tempo de escutar Maria, que vai repetindo aos nossos ouvidos surdos e ao nosso coração indiferente o que ela diz nas bodas de Caná de Galileia: “fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2,5). Este é o grande desejo da Virgem Maria: que nós pratiquemos tudo o que Jesus nos disser e tudo o que a Igreja nos disser em nome de Jesus.

A quem devemos obedecer?

No Tempo Pascal, praticamente todos os dias, lemos os Atos dos Apóstolos. Por quê? Este é o livro mais belo, que nos conta todas as maravilhas, sofrimentos, esperanças e lutas da Igreja, que nascem da ressurreição. A comunidade cristã, desde o início, se colocou em abertura constante com os judeus, não porque renegavam a primeira Aliança de Deus com seu povo feita com Abraão, mas porque apresentavam Jesus como aquele que fazia a Nova Aliança consagrada com Seu sangue na cruz. A primeira Aliança e a segunda não se excluem, mas se completam reciprocamente. Porém, esta linguagem era difícil para ser entendida pelos judeus que eram fechados e não abriam os olhos ao novo.

Diante desta realidade, Pedro, que era o chefe, o ponto referencial, querido por Jesus na nova comunidade, toma uma decisão corajosa, sem medo, ele diz aos que queriam proibir de falar de Jesus, veja você: devemos obedecer antes de tudo a Deus e não aos homens. Ninguém tem direito de nos proibir de falar de Jesus. Vamos continuar até a morte. Este gesto deve ser assumido por cada um que crê em Jesus. Não deixar-se amedrontar e apavorar por nada. Os discípulos foram açoitados, torturados, mas saíram mais felizes e continuaram a anunciar Jesus. Essa é a história dos mártires de todos os tempos.

Só o Cordeiro Imolado é digno de louvor

O Cristianismo diminui em alguns países, onde as pessoas criam novos ídolos do bem-estar, do individualismo, do poder, da riqueza; e aumenta em outros países, onde as pessoas, mesmo na pobreza e no sofrimento, se esforçam para adorar o Deus vivo e verdadeiro. É belo poder contemplar tudo isso com os olhos da fé e sem medo. Os seguidores de Jesus não podem ser contados; as estatísticas nos dão somente uma pálida luz do fermento do Evangelho.

Há cristãos que professam abertamente Jesus e outros que o professam no silêncio do coração, promovendo os valores do Evangelho, da paz, da justiça e do amor, mas, na “hora h”, todos têm coragem de se revelar como seguidores do Mestre Jesus. O evangelista João fala de milhões e milhões, incontáveis. Jesus será sempre amado e rejeitado, até que no fim do mundo todos dobrem os seus joelhos ao Cordeiro imolado e digam: “aleluia, amém.”

Jesus sempre presente na nossa vida

O texto do Evangelho de hoje é longo e belo, e precisamos não de dez linhas, mas de toda a vida para rezar com ele. A lição mais importante que vejo neste Evangelho é que Jesus nunca se afasta de nós, está sempre ao nosso lado, quer no mar da vida haja tempestade ou haja paz, quer haja pão ou falte pão, tristeza ou alegria, Ele sempre está conosco com Seu amor.

Jesus nos desafia para que nós creiamos Nele, nos prepara uma mesa, como diz o salmista no salmo 22, nos prepara uma mesa na praia, no mar, como diz o Evangelho de João, e continuamente nos faz a mesma pergunta que Ele fez a Pedro: “tu me amas mais do que estes?” (Jo 21,15). E qual é a nossa resposta?

Não devemos dar as respostas dos outros; elas não servem.  Jesus, como um dia esperou a resposta de Pedro, hoje espera a minha e a sua. Não esqueça: não há um momento no qual Jesus não esteja ao seu lado; mesmo que não se veja nem se sinta, Ele está. Senhor, eu sei, pela fé, que Tu nunca me abandonas. Amém.

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