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Frei Patrício: Precisamos de sacerdotes santos

Queremos sacerdotes santos. Mas o que significa esta expressão sacerdote santo?

No dia 4 de agosto, no mundo inteiro, se celebra a festa do Santo Cura d’Ars, que se chamava João Maria Vianney. Considerado não inteligente, mas um grande santo, com seu amor e sua ternura misericordiosos, conquistava o coração dos pecadores.

Não é verdade que não fosse inteligente. Ele lia o Evangelho, os Padres da Igreja e chegou até a escrever um pequeno catecismo sobre a oração. Não tinha tempo para descansar, para tirar férias e nem para fazer turismo, mas estava sempre presente nos momentos de dor e de alegria do seu povo de Ars, lugarejo onde Judas perdeu as botas.

Ele era um pároco que chorava e se comovia, que jejuava para dar comida aos pobres, e estava disposto a enfrentar vento e neve a fim de visitar doentes que pediam o sacerdote próximo a eles, para uma boa confissão. Tinha, também, como diria o Papa Francisco, “o cheiro das ovelhas”, sempre sentado no confessionário, esperando os pecadores. Era, dessa forma, evangelizador, amante dos pobres, e homem de oração.

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Padroeiro dos Sacerdotes

O Papa Bento XVI o proclamou padroeiro de todos os sacerdotes, mas, especialmente, dos párocos do mundo inteiro que receberam, de Deus, uma porção do rebanho ao qual devem dar o melhor de si mesmos, correndo atrás – como o Bom Pastor, Cristo Jesus – daquelas ovelhas rebeldes ou que se desviaram do caminho certo.

A Igreja, no mundo, por desejo da sabedoria de Deus, não pode fazer sacerdotes menos santos. Pode fazê-los menos especialistas, estudiosos, conhecedores de toda a teologia. Que sacerdotes o povo exige? Que sacerdotes você e eu exigimos?

Creio que aqui está a resposta que devemos dar a nós mesmos, e também ao nosso sacerdote amigo, o pároco, ou outro. Queremos sacerdotes santos. Mas o que significa esta expressão sacerdote santo? Um sacerdote não é, sem dúvida, triste, antissocial, nem tem atitudes de monges no deserto, É, na verdade, cheio de Deus e está sempre ao lado dos pequenos, dos pobres e dos pecadores.

Hoje é um dia importante para que nos convençamos de que cada um de nós, o homem e a mulher, tem necessidades do sacerdote, seja ele o Papa, o Bispo. Ninguém pode dizer na sua vida: “eu não necessito do sacerdote para receber uma bênção, nem para receber a Eucaristia, e nem para ter o abraço da misericórdia do Pai, no sacramento da confissão”.

Que neste dia, você telefone para o seu amigo sacerdote e também para o que não é seu amigo. Esteja sempre ao lado do seu sacerdote, apoie-o, corrija-o, sustente-o com seu amor, com sua cooperação.

Permitam-me os meus leitores dizer porque hoje faltam vocações. Creio que os pais devem novamente ensinar os filhos a amar os sacerdotes, “sussurrar” ao pé do ouvido que o sacerdócio é dom de Deus, e rezar nas famílias por eles. Este é o momento de repensar a pastoral vocacional. Se eu fosse pároco, colocaria uma grande faixa, para todas as famílias verem, com a seguinte frase “Cada família de um sacerdote é consagrada”. Quem sabe se resolvesse o drama da falta de vocações.

Parabéns a todos os sacerdotes! Rezemos uns pelos outros, para estarmos sempre a serviço de Deus, da Igreja e do povo.

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Tudo é vaidade

O livro de Eclesiastes pertence ao conjunto dos livros da sabedoria bíblica. É um livro que sabe misturar bem filosofia, psicologia e teologia. Teologia esta que nasce da vida e que nos coloca diante do espelho da morte em que podemos contemplar a nossa vaidade.

“Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”.

Seriam suficientes estas palavras para que fizéssemos um exame de consciência sobre os valores da nossa vida e sobre o que buscamos. Não é difícil ver que estamos tremendamente querendo “aparecer”, com maquiagem intelectual, religiosa. Não mostramos o que somos simplesmente, humildemente, sem medo.

A vaidade é um pecado sutil, que se apresenta sob o aspecto da beleza, da verdade, mas é uma grande mentira que, por sua vez, esconde a nossa fragilidade e cria problemas de convivência onde estamos. É necessário verificar na nossa vida se somos vaidosos, isto é, se buscamos aparentar o que não somos. Jesus nos oferece o caminho: “o vosso falar seja Sim sim, Não não.” (Mt 5,37) Aqui não tem vaidade, mas verdade.

Manifestar Jesus todos os dias

O único caminho que não admite a vaidade manifesta, com a nossa vida, a pessoa de Jesus. Devemos, pois, buscar o caminho da transparência no agir e no falar. Neste pequeno texto, aos Colossenses, o apóstolo Paulo nos convida a dizer a verdade, a termos um comportamento de autenticidade evangélica. Todo o nosso ser deve revelar o Senhor Jesus, pois quem vive Cristo destrói todas as barreiras: não há mais gregos, judeus, romanos. Todos somos irmãos em Cristo Jesus. Um dia, formaremos um só povo.

Cristo é tudo em todos. Ele é caminho da verdade. Na autêntica espiritualidade, não existe vaidade, mas humildade que se gloria somente da Paixão do Senhor. Paulo sabe como é maravilhoso anunciar Jesus, mas ao mesmo temo é consciente de que isto comporta sacrifício e renúncia de tudo o que é humano.

É preciso dizer não à vaidade das riquezas

Deveríamos ler este Evangelho todas as vezes em que sentimos nascer no nosso coração o desejo selvagem de sermos importantes e mais fortes que os outros, que a nossa conta bancária aumente, e que os outros nos estimem pelo nosso poder. O abuso de poder das riquezas é terrível, o dinheiro parece que compra tudo, mas uma coisa é certa, não compra Deus, que só se deixa comprar  pela pobreza e pela força do amor.

O Evangelho nos conta uma página triste da história de tantas famílias que se dividem por motivos de disputa de herança. Ninguém quer perder. Perdoem-me os advogados, na verdade, eu tenho pouquíssimos amigos advogados e nunca os procurei para resolver problemas judiciais, porque procuro seguir o que diz Jesus  “se alguém quer o manto, dê também a túnica” (Lc 6,29). Mas se existisse o amor verdadeiro, autêntico, os advogados estariam todos aposentados e sem trabalho. E dizem que hoje o que mais dá dinheiro é abrir uma consultoria de advocacia criminal.  Que pena!

Para que serve – nos mostra o Evangelho – ampliar os nossos celeiros, as contas nos bancos, ter propriedades mais do que o necessário, se, um dia, um metro de terra nos será suficiente?

“Vaidade das vaidades. Tudo é vaidade… menos ser santo”!

Escola de oração

Como nos ensina o Senhor, “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5,3). Devemos ajuntar tesouros no céu, seguindo Aquele que é o “Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Fazemos isso desejando o mesmo também ao nosso irmão, evangelizando. Devemos gastar nossos dias para levar almas para Deus. Tudo passa, menos o Senhor. Pois como nos diz o Papa Francisco “As riquezas não te dão segurança alguma. Mais ainda: quando o coração se sente rico, fica tão satisfeito de si mesmo que não tem espaço para a Palavra de Deus, para amar os irmãos, nem para gozar das coisas mais importantes da vida. Deste modo priva-se dos bens maiores. Por isso, Jesus chama felizes os pobres em espírito, que têm o coração pobre, onde pode entrar o Senhor com a sua incessante novidade.” (Gaudete et Exsultate, 68)

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