Formação

Frei Patrício: Ser santo é buscar ao Senhor com toda intensidade

É belo poder contemplar o Batismo de Jesus. Ele, sem pecado, nos mostra que temos necessidade de sermos mergulhados no mistério infinito do amor de Deus, para passar a nossa vida fazendo o bem a todos. Somos chamados a ser santos.

Este ano queremos fazer um caminho diferente das nossas meditações dos domingos. Iremos, sim, contemplar e meditar a Palavra de Deus que a Igreja nos oferece, mas todas as vezes comentaremos um número da exortação apostólica do Papa Francisco Gaudete et Exsultate, que trata do chamado à santidade e à vida de oração. Será um caminho maravilhoso, no qual sentiremos a alegria de descobrir, guiados pelo Papa, o mistério da oração, da vida concreta, da santidade, como ele diz, da “porta do lado”.

Ser santo é buscar ao Senhor com toda intensidade.

Por muito tempo, fomos acostumados a ver a santidade como algo distante da nossa vida cotidiana e na verdade não pode ser assim. Ser santo, no sentido bíblico, não diz respeito à canonização que a Igreja reserva a um número restrito de cristãos que viveram em uma forma heroica ou por meio do martírio ou da vida concreta uma intimidade com Deus extraordinária, ser santo é buscar ao Senhor com toda intensidade.

O cristão não pode fugir do mundo

Vivemos em um mundo feito de contrastes, de tentações de todo tipo. O cristão não pode fugir do mundo, mas sempre se recordar das palavras de Jesus: “vós estais no mundo, mas não sois do mundo” (Jo 15,19). Esse é um chamado de Jesus a não nos deixarmos corromper por causa do fermento velho da falsidade, da vida de aparente bondade, mas na realidade longe de Deus.

O Batismo de Jesus recorda o nosso Batismo porque, no dia em que fomos batizados, também o Pai se inclinou sobre nós e nos foi dado o Espírito Santo, além de terem sido pronunciadas as palavras: “este é meu filho bem amado em quem coloquei toda minha complacência” (Mt 3,17). Se não somos santos, não o devemos ao fato de que Deus não nos ama e nem nos dá todas as graças e meios necessários para sermos, porque Ele nos ama e nos dá o que é preciso.

“‘ALEGRAI-VOS E EXULTAI’ (Mt 5,12), diz Jesus a quantos são perseguidos ou humilhados por causa Dele. O Senhor pede tudo e, em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. Quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa. Com efeito, a chamada à santidade está patente, de várias maneiras, desde as primeiras páginas da Bíblia; a Abraão, o Senhor propô-la nestes termos: ‘anda na minha presença e sê perfeito’ (Gn 17,1)” (Gaudete et Exsultate, 1)

O Senhor não nos pede aquilo que não podemos fazer, porque Ele mesmo nos dá força para isso. Não temamos, porque Deus é nosso Pai e defensor. Nascemos para a santidade, porque nascemos para Deus.

Deus nos quer santos

Deus nos quer santos e não quer que a nossa vida seja medíocre, superficial, indecisa. Estas três palavras devem nos obrigar a descer no mais profundo do nosso coração, a fazer um sério exame de consciência para verificar o nosso comportamento, se é conforme ou não à Palavra de Deus, aos nossos compromissos batismais, e à nossa missão que devemos viver como a nossa vocação particular.

Deus repete a cada um de nós as mesmas palavras que diz no início do caminho de Abrão, nosso pai na fé: “anda na minha presença e sê perfeito” (Gn 17,1). Façamos um pouco de silêncio e meditemos estas palavras.

A missão do servo é a esperança

Nunca me canso de meditar os cânticos do servo sofredor de Javé, especialmente este texto de Isaías 42, em que encontramos a missão de quem ama de verdade o próximo. Quem ama não pode desejar o mal, sabe que a sua missão é animar os desanimados, encorajar os que debaixo da cruz não encontram força para continuar o caminho.

Qual é a nossa missão diante das dificuldades da Igreja, da família, do mundo, da vida pessoal? É por acaso chorar e cruzar os braços? Nada disso! É arregaçar as mangas e fazer de tudo para reverter as situações que parecem sem repostas. Deus não pode abandonar os que O amam e os que confiam Nele. Nos momentos de dificuldades e nas noites, é bom voltar a ler este cântico para reencontrar a força da alegria e da esperança.

O Espírito Santo nos consagra

O Salmo 28/29 convida todo o universo a cantar a força de Deus que se revela não somente na natureza e nos animais, mas especialmente no ser humano, que é chamado a louvar e bendizer.

No Batismo, todos somos consagrados pela força do Espírito Santo.

Não é possível se fechar no pessimismo dos nossos pecados e do mal que vemos. Os nossos olhos sempre enxergam a luz que rompe as trevas, que é a luz de Jesus. Deus, nos recorda o autor dos Atos dos Apóstolos, não faz distinção de pessoas, mas ama a todos, e para todos foi enviado Jesus, a fim de que todos sejam salvos no Seu nome.

Quem ama não julga os outros como sendo piores que si mesmo.

Muitas vezes, vemos renascer, dentro de nós e ao nosso redor, a erva daninha do racismo e da discriminação, achando que somos os melhores. Quem ama não julga os outros como sendo piores que si mesmo. No Batismo, todos somos consagrados pela força do Espírito Santo. Sabemos, em um certo sentido, que todos os que buscam a verdade são mergulhados no mistério do amor infinito de Deus, que quer todos salvos.

Por que Deus encontra a alegria em Jesus?

Com extrema sobriedade de palavras, o evangelista Mateus narra o Batismo de Jesus. O pequeno diálogo entre João Batista e Jesus nos faz compreender a humildade dos dois; de João, que não quer batizar Jesus, porque reconhece Nele o enviado de Deus, o Messias, o esperado e o Salvador; a humildade de Jesus, que quer dar para todos o exemplo de ser lavado, mesmo não tendo necessidade, por não ter pecados, mas, que, diante do povo, quer assumir com este gesto a Sua missão pública de enviado do Pai.

Será a mesma voz do Pai que se faz ouvir que consagra Jesus como filho amado, filho em que Deus encontra a Sua alegria. Mas por que Deus encontra a alegria em Jesus? Porque Cristo realiza sempre e em tudo a vontade do Pai.

Eis o segredo da santidade: fazer em tudo a vontade de Deus e reconhecer em tudo, mesmo nas coisas mais difíceis, a mão do Senhor que nos conduz.


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