Igreja

Homilia de posse de Dom José Negri no Santuário de Nossa Senhora de Fátima

Solenidade da Imaculada Conceição de Maria 2015
Dia da acolhida oficial como Bispo titular da Diocese de Santo Amaro

 

Homilia_2015-2A solenidade da Imaculada Conceição nasceu em 1854, quando o  Papa Pio IX proclamou que Nossa Senhora foi concebida sem pecado original. Quatro anos mais tarde, em Lourdes, uma menina, chamada Bernadete, recebeu a visita de uma Senhora, vinda do céu,  que se anunciou dizendo: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

50 anos atrás, neste dia, em Roma, encerrava-se o Concílio Vaticano II, que apontou  novos caminhos e novos rumos para a Igreja, preparando-a para o  terceiro milênio que estava por vir. Hoje, o Papa Francisco, nesta data dedicada a Maria, abriu as portas do Ano Santo da Misericórdia,  dedicando-o ao perdão e à conversão dos fiéis.

Observem, caros irmãos, quantos são os motivos que temos para festejar este dia. Essas também foram as razões que levaram a mim e a dom Fernando a escolher o dia de hoje para celebrar mais  um momento forte de nossa Diocese de Santo Amaro. Como acabaram de ver, Dom Fernando me entregou o báculo, que representa o cajado do Bom Pastor, símbolo do governo de uma Diocese e  da grande responsabilidade que o Bispo assume diante da Igreja e do povo de Deus, de ensinar, governar e santificar as ovelhas que lhe são confiadas.

Enquanto Dom Fernando me passava o báculo, percebi que este é um báculo “pesado”. Pesado, porque a Diocese de Santo Amaro é uma das maiores no Brasil, com os seus 220 sacerdotes, entre diocesanos e religiosos, com a presença de 35 congregações  religiosas, e membros de sociedade de vida apostólica e de vida consagrada e mais ….  seminaristas. Nossa Diocese, que começou a sua história com pouco mais de 30 paróquias,  hoje já conta com  113, sendo  4 santuários, além das inúmeras comunidades espalhadas por seu território. Este  báculo é “pesado” porque está impregnado  da paternidade espiritual com que Dom Fernando, com ardor e esmero, ao longo de vinte e seis anos conduziu os passos desta diocese, orientou seus caminhos e fez com que esta Igreja tivesse um rosto. É “pesado” também por causa das situações desafiadoras que envolvem diretamente a evangelização: as dimensões territorial e populacional enormes desta Diocese, o crescimento desproporcional da pobreza, a presença da violência e dos vícios. Mas, em meio a todos esses desafios, nela se encontra um povo que clama, que tem sede de justiça, um povo numeroso, sedento da Palavra de Deus, desejoso de proclamar e de viver a própria fé.

O cajado do Bom Pastor não serve somente para  corrigir as ovelhinhas que se distanciam do reto caminho. Que neste Ano da Misericórdia, as palavras do salmo 22 se tornem ainda mais verdadeiras: “O teu bastão e o teu cajado me dão segurança”. Desejo realmente que este cajado se transforme em um instrumento  de segurança para quem está cansado, para quem está distante e confuso. Sirva de consolo para quem já experimentou de tudo na vida, para quem se sente à beira do abismo e esmagado pelos próprios pecados. Esteja ele firme e seguro para quem se sente carente de cuidados, atenção e apoio. Enfim, seja ele um elemento de comunhão e de unidade para todos aqueles que ao redor dele querem se juntar e se unir.

Neste ano  tive a oportunidade de conhecer muitas atividades valiosas desta Diocese, por meio da visita que realizei a  todas as paróquias. Tive a possibilidade de encontrar os padres que nelas trabalham e que considero verdadeiros heróis; refiro-me, sobretudo, àqueles que atuam em situações precárias e com escassez de recursos. Mas, em todos, pude encontrar abertura, disponibilidade, um coração grande e muita vontade de trabalhar em favor do Reino!

Uma das expressões que mais me tocaram, ao receber os cumprimentos, depois da minha nomeação, foi esta: “Pode contar comigo”! Considerando as dimensões e os desafios desta grande diocese, devo admitir humildemente que não posso deixar de  contar com todos e com cada um de vocês, a partir do senhor, Dom Fernando, grande amigo, irmão, e pai desta Diocese.

Não posso prescindir do apoio e do trabalho de  todo o clero diocesano e religioso. O que seria de um bispo em uma diocese, se não tivesse o apoio dos padres? Como disse Santo Inácio de Antioquia, “Seria como um violão sem cordas”.

Quero contar também com as religiosas e com os membros dos Institutos de vida consagrada, com os leigos consagrados, membros de movimentos ligados à Igreja e atuantes nas  comunidades. Conto com todos vocês que trabalham no centro ou na periferia; na educação, nos colégios;  com aqueles que atuam na pastoral da saúde, seja em hospitais ou em qualquer outra organização destinada ao atendimento de necessitados; com  vocês que executam trabalhos maravilhosos em presídios, com os que militam em atividades que buscam libertar os  dependentes químicos do vício, com aqueles que estão engajados no atendimento a crianças abandonadas e em programas de atenção a moradores de rua. Quanto bem vocês podem fazer, tornando firme a presença da Igreja, nessas situações emergentes!

Por fim, quero poder contar com o povo de Deus. Além de poder contar com todos os leigos voluntários que oferecem a sua vida desinteressadamente pela própria paróquia e comunidade, assumindo um papel diversificado, ora como catequistas, ora como ministros, ora como simples (e importantes) colaboradores. Quero repetir o que aprendi com o Papa Francisco, e igualmente me declarar um  “descarado”, pois também aprendi a não ter vergonha de pedir. Sim, venho até vocês para pedir seu apoio, sua colaboração, e contar com suas orações.

Tenho plena certeza de que esta Obra é de Deus, não é nossa. Às vezes, com Dom Fernando, quebramos a cabeça por causa de situações as mais variadas, que se apresentavam a cada momento e pareciam insolúveis. Mas depois parávamos e exclamávamos: “Esta é Obra de Deus!“ Se for de verdade que esta é obra de Deus, ela deve ser construída com os tijolos da oração e do sofrimento. É nesse sentido que estou pedindo a sua ajuda. Peço as suas orações e que ofereçam seus sofrimentos, sejam eles pequenos ou grandes, por  esta Obra de Deus, que é a nossa Diocese.

Olhando para cada um de vocês neste santuário dedicado à Nossa Padroeira, Nossa Senhora de Fátima, vislumbro um  fundo azul, quase a significar o manto azul da Virgem que abraça a todos e que quer nos carregar, como carregou o Menino Deus no Natal. Amparados e abraçados por esse amor materno, quero consagrar toda a nossa Diocese ao Coração Imaculado de Maria. Ela cuide de nós e nos abençoe! Amém.

Dom José Negri, PIME – 08/12/2015

 

Fonte: Diocese de Santo Amaro


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