Shalom

Ir em missão: uma resposta de fé

O amor é a livre entrega do coração. (CIC)

É quando paramos para ouvir atentamente  a voz de Deus e quando nos escondemos no silêncio de uma intimidade com a pessoa de Jesus é que vamos nos tornando sensíveis aos seus mistérios de amor.

Neste tempo de respostas várias pessoas aguardam seus discernimentos enquanto outros já o possuem: postulantado, discipulado, vocacional, jovem em missão, mudança de nível, estado de vida, namoros…

Discernimentos tantos que abrangem desde realidades corriqueiras até decisões que fazem uma verdadeira reviravolta em nossas vidas, seja em seu aspecto familiar, profissional, financeiro, social ou tudo isso junto.

Para Teresinha, a padroeira das missões, “o Amor encerra todas as vocações”.

Essa resposta representa também para nós essa entrega de coração a uma vocação específica, à voz de Deus que nos chama desde a eternidade. Essa voz que vem nos falando por meio de nossas orações, acompanhadores e autoridades.

Deus fala de diversas formas e como é belo beber dessa graça ao longo de um tempo de escuta da voz de Deus. Nos tempos difíceis, onde tudo se levanta dentro de nós é na oração  que Deus vai nos dando a graça da docilidade à sua voz, nos configurando em um amor que livremente se entrega de coração, não por mérito humano, mas pela graça de Deus. Ir em missão é um pouco dessa experiência, uma mistura de temor e amor.  De dor e alegria diárias.

Em seus escritos a doutora da igreja relata: “Quisera ser missionária, não somente por  alguns anos… sê-lo até a consumação dos séculos.” Teresinha embora não saíra do Carmelo foi um exemplo de missionária porque soube amar nas pequenas coisas.

Nesse novo que Deus me chama a viver como Jovem em Missão muitos sentimentos se levantaram dentro de mim, muitas oportunidades externas foram brilhando e me fazendo titubear na decisão pela oferta de vida nesse tempo.

O medo gritou por todos os lados, os apegos resmungaram, a carne ia se rasgando, os lícitos desejos pareciam me “jogar contra a parede”. Era tempo de combate, a dificuldade latente da natureza humana para acolher o que o homem espiritual já havia compreendido. O remédio foi – e continua sendo – a oração e súplica para que Deus dê a graça de renunciar ao que é preciso para fazer a Sua vontade e para ser sustentada dia após dia nesse novo tempo.

Hoje, em uma nova terra vivo na carne a cruz e ressurreição diárias. Os aprendizados e dificuldades de vários novos:  modo de vida, hábitos e o constante crescimento a cada conflito interior que surge dentro de mim. Deixar morrer o homem velho não é fácil, mas ter a presença diária do Senhor é um presente que me ajuda a encontrar as forças quando elas partem em retirada.

Quantas emoções a vida comunitária é capaz de fazer surgir em nós, é um desinstalar, uma obra de paciência, alegrias e aceitação diárias. Dar sentido a esse novo é uma tarefa que vai se construindo aos poucos, é ofertar a vida, o tempo, o trabalho, os dons e sorrisos por um povo. É ofertar também as dificuldades, incertezas, mas com a clareza de que toda essa experiência é consequência de uma resposta de fé, muitas vezes incompreendida pelas pessoas que nos cercam e também, por vezes, por nós mesmos.

É a verdadeira expressão de dar o passo e confiar que Deus colocará o chão. É um sair de si rumo àqueles que precisam e esperam por nós.

Ofertar a vida é ser presenteada todos os dias com sorrisos novos, acolhendo o cuidado e carinho de cada pessoa que vai chegando a nós. É ganhar uma nova casa, nova família, novos irmãos e quantos irmãos meu Deus. É trilhar caminhos de novas amizades, novos lares, é ganhar novos lugares. É ver que Deus está em tudo: num sorriso, num abraço, na riqueza de tantas culturas reunidas num só lugar. É reconhecer o propósito da vida quando vemos vários jovens reunidos louvando e adorando a Deus, cantando e sorrindo em ambientes sadios em vez de estarem se perdendo na noite, no álcool, nas drogas. É ser feliz com a felicidade e alegria estampadas no rosto de tantas pessoas que Deus vai me dando a graça de conhecer e conviver. É uma dívida de gratidãp para com Deus.

Mergulhar nesses mistérios é um desafio, com o tempo vamos compreendo as obras que Ele deseja e vai construindo em nós. Não é fácil, mas é nossa via de salvação, santidade, autoconhecimento e crescimento humano.

Que na missão que Deus confia  a cada um de nós possamos lembrar que apesar de tantos nomes para esse novo, nosso chamado maior é de amar aos que hoje o Senhor coloca diante de nós, de nos lembrar de levar o sorriso e a alegria aos jovens de idade e de coração. Mesmo que o sorriso não esteja sempre em nossos lábios, que lutemos por ele, pois a alegria é encontrada no caminho.

Que aprendamos a servir melhor a cada dia, conhecendo a nós e as necessidades dos que nos rodeiam. Esse tem sido meu desejo.

Que Deus nos dê essa graça de sempre nos lembrar que o  amor é o serviço a Deus e aos outros, isso é missão.

 

Elisangela Assis

Jovem em Missão – Brasília


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