Formação

Maria, a Mãe da Paz!

“Salve, Mãe santa: tu deste à luz o Rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos” (cf.Antífona de entrada).
Com esta antiga saudação, a Igreja se volta hoje, para Maria Santíssima, invocando-a como Mãe de Deus.

O Filho eterno do Pai tomou por ela a nossa mesma carne e, através dela, tornou-se “filho de Davi e filho de Abraão” (Mt 1,1). Maria é, portanto, sua verdadeira Mãe: Theotókos, Mãe de Deus!
Se Jesus é a Vida, Maria é a Mãe da Vida. Se Jesus é a Esperança, Maria é a Mãe da Esperança. Se Jesus é a Paz, Maria é a Mãe da Paz, Mãe do Príncipe da Paz.
Entrando no novo ano, pedimos a esta Mãe santa que nos abençoe. Pedimo-lhe que nos doe Jesus, nossa Bênção plena, no qual o Pai abençoou uma vez por todas a história, fazendo-a tornar-se história de salvação.

Salve, Mãe santa! É sob o olhar materno de Maria que se coloca a hodierna Jornada Mundial da Paz. Refletimos sobre a paz num clima de difusa preocupação por causa dos recentes eventos dramáticos que ocorreram no mundo. Mas por quanto humanamente possa parecer difícil olhar o futuro com otimismo, não devemos ceder à tentação do desencorajamento. Devemos, ao contrário, trabalhar pela paz com coragem, certos que o mal não prevalecerá.

A luz e a esperança para este nosso empenho nos vêm de Cristo. O Menino nascido em Belém é a Palavra eterna do Pai feita carne para a nossa salvação, é o “Deus conosco”, que leva consigo o segredo da verdadeira paz. É o Príncipe da Paz.

Justiça e perdão: eis os dois “pilares” da paz, que quis colocar em evidência. Entre justiça e perdão não há contraposição, mas complementaridade, porque ambas são essenciais para a promoção da paz. Esta, de fato, bem mais que um temporário cessar de hostilidade, é cura profunda das feridas que abatem os ânimos. Somente o perdão pode apagar a sede de vingança e abrir o coração a uma reconciliação autêntica e duradoura entre os povos.

Voltamos hoje o olhar para o Menino, que Maria aperta entre os braços. Nele reconhecemos aquele no qual misericórdia e verdade se encontram, justiça e paz se beijam (cf. Sl 84,11). Nele adoramos o verdadeiro Messias, no qual Deus conjugou, para nossa salvação, a verdade e a misericórdia, a justiça e o perdão.

Em nome de Deus renovo meu apelo dirigido a todos, crentes e não crentes, para que o binômio “justiça e perdão” permeie sempre os relacionamentos entre as pessoas, entre os grupos sociais e entre os povos.
Este apelo é antes de tudo aos que crêem em Deus, em particular às três grandes religiões derivadas de Abraão: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, chamadas a pronunciar sempre a mais firme e decidida rejeição à violência. Ninguém, por motivo algum, pode matar em nome de Deus, único e misericordioso. Deus é Vida e fonte da Vida. Crer nele significa testemunhar a misericórdia e o perdão, rejeitando instrumentalizar o seu santo Nome.

De várias partes do mundo se eleva uma forte invocação de paz; se eleva particularmente daquela Terra que Deus abençoou com a sua Aliança e a sua Encarnação, e que por isso chamamos “Santa”. “A voz do sangue” grita a Deus daquela terra (cf. Gn 4,10); sangue de irmãos derramado por irmãos, que invocam o mesmo Patriarca Abraão; filhos, como cada homem, do mesmo Pai celeste.

“Salve, Mãe santa”! Virgem Filha de Sião, como deve sofrer por esse sangue o teu coração de Mãe!
O Menino, que apertas ao peito, leva um nome caro aos povos das religiões bíblicas: “Jesus”, que significa “Deus salva”. Assim o chamou o arcanjo antes que fosse concebido no teu ventre (cf. Lc 2,21). No rosto do Messias neonato reconheçamos o rosto de cada filho teu. Reconheçamos especialmente o rosto das crianças, de qualquer raça, nação ou cultura. Para elas, ó Maria, para o seu futuro, te pedimos que toques os corações endurecidos pelo ódio, para que se abram ao amor e a vingança ceda lugar ao perdão.

Consiga-nos, ó Maria, que a verdade desta afirmação – Não existe paz sem justiça, não existe justiça sem perdão – se imprima no coração de todos. A família humana poderá assim encontrar a paz verdadeira, que brota do encontro entre a justiça e a misericórdia.
Mãe santa, Mãe do Príncipe da Paz, ajude-nos! Mãe da humanidade e Rainha da paz, rogue por nós!

fonte:Papa João Paulo II
Homilia por ocasião da solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus
e XXXV Jornada Mundial da Paz


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