Formação

Maria, Guia e Modelo

“Exorta o Concílio Vaticano II todos os filhos da Igreja a que generosamente promovam o culto… da bem-aventurada Virgem, tenham em grande estima as práticas e os exercícios de piedade para com ela, recomendados ao longo dos séculos pelo Magistério” (LG 67). Entre tais exercícios devotos ocupa lugar particular o mês de maio, consagrado a Maria desde antiga tradição. Espontaneamente neste mês todos os corações cristãos se voltam para a Mãe celeste, com desejo de viver em maior intimidade com ela e estreitar os laços que a ela os unem.

Grande conforto é encontrar ao longo do caminho espiritual – muitas vezes penoso e cheio de dificuldades – a suave figura da mãe. Junto dela tudo se torna mais fácil! O coração desanimado e cansado, o coração agitado pelas tempestades encontra nova força, nova esperança e retoma com novo vigor a estrada.

Em certos momentos, o áspero caminho do nada assusta a fraqueza humana e então, mais que nunca, sentimos a necessidade de seu amparo materno. Foi Maria Santíssima a primeira, entre os cristãos, a percorrer o caminho estreito e apertado que conduz à santidade; a primeira, entre todos, que carregou a cruz, conheceu as ascensões do espírito através do sofrimento.

Quem não ousar fixar o olhar em Jesus, o Homem-Deus, que pela divindade está infinitamente acima dos homens, tem junto de si Maria, Mãe de Deus e nossa; criatura como nós e mais acessível à nossa pequenez.

A bem-aventurada Virgem, “invocada na Igreja com os títulos de Advogada, Auxiliadora, Protetora, Medianeira” (LG 62), vem ao nosso encontro para nos conduzir ao Filho, para nos facilitar o caminho da santidade, introduzindo-nos no segredo da própria vida interior e tornar-se assim, depois de Jesus e subordinadamente a Ele, o caminho, o modelo e a norma de nossa vida.

A respeito de certos sermões sobre Maria Santíssima, dizia Santa Teresa do Menino Jesus: “Apresentam-nos Nossa Senhora como inacessível, deveriam propô-la como imitável” (NV 23-VIII). Na verdade, é Maria inacessível nos altíssimos privilégios que coroam sua divina maternidade e é justo considerar tais privilégios para admirar, contemplar, louvar as grandezas de nossa Mãe e assim enamorar-nos cada vez mais dela; mas, ao mesmo tempo, cumpre considerar Maria no quadro concreto de sua vida terrena, quadro humilde e simples que de modo algum sai da moldura de uma vida ordinária, comum a qualquer mãe de família: sob este aspecto, é Maria verdadeiramente imitável.

Contemplar Maria, “que refulge como modelo de virtude a toda a comunidade dos eleitos” (LG 65), deve ser o programa do mês de maio. E acima de tudo cumpre considerar Nossa Senhora como modelo e ideal de vida interior. Ninguém como Maria compreendeu toda a profundeza da palavra de Jesus: “Uma só coisa é necessária!” (Lc 10,41) e ninguém mais que ela viveu desta palavra.

Desde os primeiros instantes de sua vida, foi Maria toda de Deus e só viveu para Ele! Eis os anos de preparação passados no silêncio e na oração, eis os meses transcorridos em Nazaré, no recolhimento adorador do Verbo Encarnado em seu seio, eis os trinta anos vividos na doce intimidade com Jesus, seu Filho e seu Deus! Depois, a participação na sua vida apostólica, na sua Paixão e finalmente os últimos anos transcorridos junto de João, quando com sua oração era Maria o sustentáculo da Igreja nascente.

Embora o ambiente em que se move e age mude de aspecto, embora mudem as circunstâncias externas, a vida de Maria permanece imutável na sua substância, na busca interior do único necessário, na adesão a Deus só. A sucessão dos acontecimentos e sua própria atividade externa não a impedem de perseverar naquela atitude de contínua oração em que no-la apresenta São Lucas: “Maria conservava todas estas coisas (os mistérios divinos), meditando-as no coração” (2,19).

Se, à imitação de Maria, estiver o coração do cristão ancorado em Deus, nada conseguirá afastá-lo de sua ocupação interior: buscar, amar o Senhor e viver na sua intimidade.

“Ó Maria, sois a estrela resplendente… elevada sobre o majestoso e imenso mar da vida, cintilante de méritos e resplandecente de exemplos. Quando, na instabilidade contínua da vida presente, percebo-me a vacilar entre as tempestades, sem apoio, fixo o olhar no fulgor de vossa estrela para não ser devorado pelos furacões.

Se se levantam os ventos das tentações e se me firo entre os escolhos das tribulações, olho para a estrela e te invoco, ó Maria. Se sou impelido pelas ondas da soberba, da ambição, da calúnia, da inveja, olho para a estrela e te invoco, ó Maria. Se a ira, a avareza, a concupiscência da carne sacodem a barquinha do meu espírito, olho-te, Maria. Se, perturbado pela enormidade dos meus delitos, confuso pelo mau odor de minha consciência, amedrontado pelo terror do juízo de Deus, começo a precipitar-me na voragem da tristeza e no abismo do desespero, penso em ti, Maria, e te invoco. Ó Maria, fica sempre em meus lábios e em meu coração!

Para impetrar o socorro de tua oração, não esqueço teus ensinamentos. Seguindo teus exemplos, não me abaterei! Invocando-te, não perderei a esperança. Se pensar em ti, não cairei no erro. Apoiado em ti, não resvalarei! Com tua proteção, de nada terei medo, com tua guia não me cansarei. Pelo teu beneplácito, chegarei ao termo, e assim experimentarei em mim o que significa o teu nome, ó Maria” (São Bernardo, Super Missus 2,17).


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