Formação

Maria nas Escrituras

1. A MATERNIDADE VIRGINAL
A Igreja ensina-nos que Maria permaneceu virgem antes, durante e depois do parto. É um Dogma de fé. Que Maria não tenha tido filhos depois do nascimento do Salvador não entra em contradição com a expressão “irmãos de Jesus”, que o Evangelho por vezes emprega, significando o termo hebraico qualquer grau de parentesco ou grau de amizade.
Por que quis Deus conceder tal privilégio para a Mãe de Seu Filho? O nascimento do Verbo segundo a carne não deveria lembrar o nascimento divino antes de todos os séculos?
O seio de Maria seria preparado, de certa forma, no seio do Pai. A geração temporal refletiria a pureza inefável da geração eterna. Deus manifestaria assim com maravilhoso respeito, Sua admiração pela virgindade de Maria. Conforme diz a Secreta da Missa de 8 de Setembro, o Cristo nascendo de Maria, “Não diminuiu a virgindade de Sua Mãe, mas consagrou-a”. A fé na Vrigem Maria e a fé no Homem-Deus estão pois estreitamente associadas: proclamando que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, nós afirmamos que o Cristo é verdadeiramente homem; proclamando que o Cristo é verdadeiramente homem; proclamando que o Cristo é verdadeiro Deus, abrimos largamente o caminho à compreensão da Virgindade integral da Virgem Mãe.

2. A VISITAÇÃO
“Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu em seu seio… Maria ficou com Isabel cerca de tres meses” (Lc 1, 39-41)
A Conceição de Isabel, já em sua velhice, era o sinal que Deus, para quem nada é impossível, tinha preparado para Maria como confirmação de sua própria vocação para a Maternidade Messiânica. E Maria prepara-se para contemplar(não para confirmar, pois creu imediatamente em tudo o que o anjo lhe dissera) este sinal, dirigindo-se à casa de Isabel:
– ” Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá…”
A presteza de Maria, em visitar Isabel é física, cronológica, pois realmente o termo hebraico significa “apressadamente”. Mas tal diligência e disponibilidade não nascem de um simples desejo humano de “ajudar” a prima numa necessidade, nem de dúvida acerca do que Deus lhe tinha revelado pelo anjo, mas de uma grande diponibilidade de Espírito, conseqüência da alegria que lhe proporcionou sua vocação, de esperança que transborda de sua alma. Maria não foi para “checar” o sinal, mas para contemplá-lo. Só que, chegando lá, ela própria criou um novo sinal:
” Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo”.
A saudação de Maria provoca o sinal preparado por Deus: O movimento natural da criança no seio de sua mãe converte-se em sinal de gozo e simpatia, suscitado pelo encontro. E a paz que Maria anuncia irrompe sobre Isabel e sobre a vida que se move no seio da anciã. E Maria então contempla o sinal de Deus: a vida que leva em seu seio é portadora de alegria escatológica e de paz. Maria evangeliza com a sua presença e a reação dos evangelizados evangeliza a própria Maria.
” E exclamou em alta voz: ‘Bendita é tu entre as mulheres e bendito e o fruto do teu ventre. Donde me vem a honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois, assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-Aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!'”
O encontro com Maria fez com que Isabel ficasse cheia do Espírito Santo e profetizasse. O Espírito de profecia recai sobre ela numa antecipação do que vai acontecer em Pentecostes algum tempo depois: a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos. Inspirada pelo próprio Deus, Isabel não pode conter a sua Palavra e a profere, interpretando o acontecimento. E proclama que Deus abençoou o seio de Maria tornando-o prodigiosamente fecundo (Bendita entre as mulheres), reconhece que Maria é a autêntica Mãe do Messias, e que o Messias é o Senhor (Mãe de meu Senhor), e profetiza a Bem-Aventuranca que Jesus ainda vai proclamar futuramente(Lc 11,28) sobre aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a observam ( Feliz és tu que acreditaste).
Sobre Isabel, filha da paz, repousa a paz de Maria. E Maria permanece naquela casa, anunciando com a sua presença a proximidade do reino de Deus.(ler com os alunos Lc 1,46-56)
O Evangelho de Deus anunciado por Gabriel a Maria continua seu curso, e Maria transforma-se agora em mensageira do Evangelho para sua prima e para aqueles que Isabel representa, o povo de Deus

3. O MAGNIFICAT
Não se sabe ao certo se este hino foi composto por Maria, mas garante-se que eles refletem fielmente seus sentimentos originais, e a confirmação de todas as profecias do AT a respeito da vinda do Messias.
Desde o século I que a Igreja proclama estes cântico na sua Liturgia proclamando por um lado a história da Salvação realizada em Israel, e por outro a obra efetuada por Deus através da maternidade de Maria. Percebe-se assim que a comunidade cristã desde o século I já vê Maria como modelo e figura da Igreja, que verá acontecer em si o que ocorreu com Maria. Tanto que Sto. Irineu diz: ” Maria, cheia de alegria, exclama profetizando a Igreja: minha alma engrandece o Senhor “.
Em seu cântico, Maria representa Israel, para quem se cumpriram as promessas da Salvação. Maria recolhe os anseios de todo o AT, que se alegra pela Salvação futura. Em seu louvor está incluída a atitude de todos aqueles que experimentaram a satisfação pela intervenção de Deus ao mandar o Messias. No louvor de Maria está condensado o louvor da Igreja.
O Magnificat não pode ser compreendido sem Maria. Tampouco sem a Igreja, pois ele não expressa apenas os sentimentos de Maria, mas também os sentimentos da comunidade cristã que experimentou a vitória de Deus sobre a morte de Jesus na Ressurreição. A fé da Igreja se manifesta neste cântico, saído da fé profunda de Maria na visitação.
Aquilo que desde a Anunciação permanecia oculto na profundidade da obediência à fé, manifesta-se agora claramente, como uma chama vivificante do Espírito.
As Palavras usadas por Maria no umbral da casa de Isabel, que nos fazem vislumbrar sua experiência pessoal e êxtase de seu coração, constituem uma inspirada profissão de fé, na qual a resposta à Palavra da revelação se expressa com a elevação espiritual e poética de todo o seu ser a Deus.
Mas o evangelista propõe o Magnificat à Igreja como melhor resposta humana que se pode dar à proposta de Deus. Ao nos identificarmos com os sentimentos de Maria, chegamos à verdade sobre Deus, sobre nós, sobre os outros sobre o mundo. Entendemos que a verdade de Deus (a única verdade) não é uma verdade teórica, mas histórica, uma verdade que acontece, que se realiza e nos realiza.
Maria é a primeira testemunha da maravilhosa verdade sobre Deus, que se realizará plenamente mediante o que fez e ensinou Seu Filho, e definitivamente, mediante Sua cruz e Ressurreição.
Maria é a primeira testemunha da verdade sobre o homem, porque anuncia a verdade do amor misericordioso de Deus por ele. O Deus do Magnificat, o verdadeiro Deus, se derrama totalmente sobre o homem, especialmente sobre o mais necessitado, tanto física, como psicologicamente e espiritualmente mais necessitado.

O Magnificat é assim o modelo acabado de toda oração de louvor no Espírito.
2. NOSSA SENHORA E O MISTÉRIO DE CRISTO
Lc 1,45: “Feliz daquela que acreditou que terriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do “Senhor”. As proféticas palavras de Isabel não se aplicam apenas àquele momento particular da Anunciação, porque aquele foi apenas o ponto de partida no qual se inicia todo o Seu “itinerário para Deus”, toda a sua caminhada de fé. Da saudação de Isabel, revela-se a verdade sobre Maria, que chegou a estar realmente NO MISTÉRIO DE CRISTO porque acreditou.
Diz o Santo Padre João Paulo II: “Acreditar quer dizer abandonar-se à própria verdade da Palavra de Deus vivo, sabendo e reconhecendo humildemente quão insondáveis são os seus desígnios e imprescrutáveis as suas vias”(Rom 11,33). Maria, que pela eterna vontade do altíssimo veio a encontrar-se, por assim dizer, no próprio centro daquelas “imprescrutáveis vias” e daqueles “insondáveis desígnios” de Deus, conforma-se a eles na obscuridade da fé, aceitando plenamente e com o coração aberto tudo aquilo que é disposição dos desígnios divinos.
O Mistério do desígnio divino deve ser por nós respeitado. Somos criaturas, e não criadores e mantenedores de nossas vidas. Será ao longo do caminho da obediência da fé que Maria, esperando contra toda esperança(Rom 4,18), encontrou para si e para os que se dão à mesma obediência da fé, a realização de todas as promessas divinas para a humanidade.
Veja Mt 1,18-25. Especialmente Mt 1,21: ‘Ela dará à luz um filho a quem porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo de seus pecados”.
Com o anúncio do anjo, Maria tomara consciência da missão que Deus lhe confiou: o Todo-Poderoso a convida a aceitar livre e fielmente a vocação de ser mãe do Salvador de todos os homens. Aqui começa, não uma história escondida de santificação pessoal, mas uma nova etapa da relação entre Deus e os homens. De seu sim total, depende a Salvação da humanidade. Isso a coloca no Centro da História, porque lhe é pedida a colaboração para transformar a realidade do mundo. Fiel a si mesmo, Deus não quer realizá-la sozinho, mas com a livre cooperação de Maria. Mediante seu consentimento, ilumina-se o mundo, de vez que em seu seio o Salvador principia a viver.
Mas outro alguém entra nesta história da Salvação da humanidade: José. Toda a sua grandeza se enraíza no serviço desinteressado em prol do mistério de Cristo e de Maria. O Evangelho descreve com poucos traços a vida de José, mas estes são suficientes para definir a sua santidade: a pronta obediência ao mensageiro divino; o respeito profundo pelo mistério operado por Deus em sua esposa; o cuidado vigilante e abnegado da vida que lhe foi confiada, manifestado nos acontecimentos qie cercam o nascimento de Jesus, na fuga ao Egito, por ocasião da perda da criança no Templo; a santificação do trabalho e da vida diária.
A norma de vida de S. José é o cumprimento da vontade do Pai; nisto encontra sua felicidade e sua realização pessoal e ali se radica também a fonte do diálogo com sua esposa Maria. Um diálogo que, longe de ser desencarnado, frio e impessoal, constitui a expressão e o alimento d eum amor humano cheio de calor, compreensão e confiança.
Veja Lc 2,35: “E uma espada transpassará a tua alma, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações”.
Quando estavam no Templo, duas pessoas justas e piedosas, inspiradas pelo Espírito Santo (Simeão e Ana), reconhecem a Criança o Redentor esperado. O ancião Simeão, repleto de gozo, louva à Deus e proclama a universalidade da Salvação. Porque seus olhos estão contemplando a Luz para iluminar o mundo(Jo 1,9). Depois se dirige à Maria e revela-lhe que através da dor, participará, com Seu Filho, do Mistério da Redenção. A obra de Seu Filho não se realizará sem sofrimento e sacrifício. E ela, por desígnio divino, está associada a essa obra.
A fé de Maria, determinada pelo caminho de Seu Filho, é chamada a implicar-se num destino de sofrimento. Crer é tomar a própria cruz e seguí-lo(Lc 14,27), Ele mesmo dirá mais tarde. A fé implica dor, porque requer doação total de nós mesmos, à esquecer os planos passados para que todas as coisas sejam novas com a novidade de cristo Jesus. É caminhar no escuro para o desconhecido, seguro no único absoluto que é Deus.
Maria, representante do povo de Deus, recebe o anúncio profético do seu próprio dilaceramento interior, por causa do Seu Filho, cuja vida atuará como uma espada, para revelar o que está oculto nos corações. Por isto Ele cumprirá Sua missão na incompreensão e na dor. Neste anúncio, Maria é implicada porque deverá viver sua obediência da fé no sofrimento, ao lado do Salvador que sofre.
Veja Lc 2,1-20 e Mt 2,1-12. Especialmente Mt 2,11. “Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
“Sua Mãe”: Entre Jesus e Maria existe a plenitude da relação de amor entre uma mãe e seu filho. “Nestes nove meses, a mãe, vivendo uma identificação simbólica e uma intimidade identificante com aquele que ia germinando silenciosamente dentro dela…/ experimentou algo único, que jamais se repetirá. Como sabemos, entre a gestante e a criatura de seu seio, dá-se o fenômeno da simbiose. Significa que duas vidas constituem uma só vida. A criatura respira através da mãe e daquilo que é da mãe. Alimenta-se da mãe e pela mãe, através do cordão umbilical. Numa palavra, duas pessoas com uma vida, ou uma vida em duas pessoas”(Inácio Larranhaga). Essa realidade de uma maternidade profundamente experimentada é elevada ainda mais porque o filho esperado é o próprio Messias. Maria sente, como ninguém, a identificação total com Cristo.
Outro aspecto do mistério contido neste versículo: Maria dá a luz na pobreza de uma Manjedoura, depois da inútil procura de hospedaria. Eis aqui outro sinal das dimensões mais profundas: Cristo, sendo de condição divina, despojou-se de si mesmo e nasceu na simplicidade. Maria vive então momentos de profunda plenitude humana diante do mistério de uma vida surgida de suas entranhas e, ao mesmo tempo, momentos de indescritível união com Deus, a quem adora na fragilidade do menino. Os pastores, homens simples e pobres, foram os primeiros a acolher a chegada de Jesus. Mas a Salvação é para todos os homens. O relato da adoração dos magos acentua essa universalidade. O salvador de todos os povos é reconhecido e adorado por homens pagãos. E Maria é testemunha da fé dos pastores e dos magos( Lc 2,19 e Mt 2,11). E é ela quem os mostra ao menino recém-nascido.

Veja Mt 2, 12-23. Ver especialmente Mt 2,14: “José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito “.
Logo a profecia do templo começa a se tornar realidade, Maria e José são obrigados à fugir e a se exilar num país estrangeiro, para proteger a vida de Seu Filho em vista da violência de um rei temeroso de perder seu poder. Ao sofrimento da fuga soma-se a dor solidária com as mães dos inocentes mortos no massacre.
Veja Lc 2,41-51. Ver especialmente Lc 2,49: “Respondeu-lhes ele: ‘Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?”.
resposta de Jesus aos seus pais, por ocasião do episódio de Jerusalém, revela sua identidade pessoal mais profunda. Nesta passagem, já se nota as distintas dimensões da relação entre Cristo e Maria, que na vida pública se tornarão mais notórias. Maria gera Cristo, cuida dele e o educa. Mas esse vínculo de maternidade física, sem ser negado, é elevado a um ainda mais profundo: o vínculo da fé.
Cristo gera Maria no Evangelho, cuida dela e a educa na fé. Cristo é Filho de Maria, mas Maria é discípula de Cristo. Cristo se faz homem em Maria e através de Maria, mas Maria se torna filha de Deus em Cristo e através dele, por quem e para quem existe. O vínculo materno-filial não desaparece, mas aprofunda-se e transforma-se num vínculo de maior intimidade e força: a perfeita realização da vontade do pai. O oarentesco segundo a carne é assumido e elevado pelo vínculo da fé de Maria na Pessoa e na missão de Seu Filho.
A acentuação deste vínculo é o sentido profundo de algumas passagens evangélicas que causam a impressão de uma rejeição de Jesus à pessoa de Maria: “Quem é minha mãe e meus irmãos?” (Mc 3,33-35). E numa outra oportunidade: “Antes Bem-Aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a guardam”(Lc 11,27-28).
Aquilo que nessas passagens aparece, à primeira vista, como rejeição é, na realidade, colocação de Maria em sua posição, sustentadora de sua grandeza e sua dignidade. Maria é Bem-Aventurada por sua condição de mãe física de Cristo, mas o é mais ainda por acolhê-lo com fé e seguí-lo com entrega total. Pois escutar a Palavra e cumprí-la consiste em crer em Cristo e seguí-lo, pois Ele é a Palavra, o Verbo Encarnado. Em Maria não há resistência à Palavra, nem superficialidade, mas a Palavra é guardada em seu coração e germina, produzindo abundantes frutos (Lc 2,51/Lc 2,19)

Veja Jo 2,4-5: “Respondeu-lhe Jesus: ‘Mulher, isso nos compete a nós? Minha hora ainda não chegou’. Disse então, sua mãe aos serventes: ‘Fazei o que ele vos disser “.
A mãe de Jesus encontra-se com ele e seus discípulos numa festa de Bodas. Atenta ao desenrolar da festa, Maria vê que a situação se transforma num problema porque falta vinho. Então informa seu Filho desta carência. Não o impõe. A maneira de ajuda e a intervenção ficam à critério do Filho. Um fato que pode parecer banal, mas de uma teologia riquíssima. Recolhido provavelmente duma fonte dos milagres de Jesus, esta narração revela a situação desesperadora do ser humano, carente da Bem-Aventurança que o vinho simbolizava para o povo de Israel (ver Is 25,6-9).
Maria preocupa-se com a situação do homem, afastado de Deus e separado do próximo, e dirige-se ao Filho numa respeitosa e confiante súplica de intervenção divina em favor dos homens. Á fé de maria contrasta com a desconfiada pergunta de André a Jesus, antes da multiplicação dos pães: “Que é isso para tanta gente?(Jo 6,9).
Mas a resposta de Jesus é misteriosa. Ela indica que a realidade não é tão simples como costumamos supor. Jesus explicita agora a transformação que se processa no relacionamento entre Ele e Sua mãe: Maria é posta à prova na sua fé, como representante de nós criaturas. Além disto, Jesus se interroga, na presença de Maria, se ainda não chegou a hora de sua glorificação. Neste momento é então insinuado à Maria que haverá outras maiores manifestações, e agora talvez se dará a primeira.
Maria respondeu de forma surpreendente ao mistério que se apresenta diante dela: “Fazei o que Ele vos disser!”. A mãe de Jesus confia nele, crê nele, tudo espera nele; não só para si mas também para os outros. Agora sua função consistirá em dirigir-se aos homens e pedir-lhes que “ponham em prática as palavras de Jesus. Maria assume sua função evangelizadora e missionária. Ela não somente crê em Jesus, escuta e põe em prática sua Palavra, mas suplica aos homens que façam o mesmo. Em continuidade com a atitude de seu Filho, vincula-se a ele pela fé e procura que também os outros façam o mesmo. Não é que Maria esteja exercendo influência sobre Jesus, mas antes sobre os outros em favor de Jesus.
Jesus perguntara: “Quem é minha mãe e quem são os meus irmãos?”(Mc 3,33;Mt 12,48). A reação de Maria foi da cristã de fé perfeita, e promotora da fé, predispondo os outros à docilidade. O resultado manifesta fundamentalmente à Maria que a sua vontade dela coincide exatamente com a vontade do Pai. O vinho que brota é de abundante qualidade. Ele é a resposta à situação de opróbrio, de morte, de pranto e de afastamento. Em Caná, Jesus manifesta-se como o Filho do Homem que procede de Deus.

Veja Ap 12,5: ” Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. A mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias “.
Maria esteve grávida e deu à luz “um filho, varão, aquele que deve reger todas as nações com cetro de ferro”. Esta expressão se refere sem dúvida nenhuma a Cristo, e pode ser também aplicada aos que participam da Sua vida, e de modo especial guardam a fidelidade até o fim. A luta entre a Mulher e a serpente, que pretende devorar o Seu Filho, alude à Jesus e Maria, e nela, também à Igreja. A mulher então foge para o deserto, lugar que Deus preparoyu para sua proteção e refúgio. Ali se alimenta – alusão à Eucaristia – durante 1.260 dias, tempo simbólico que significa uma longa perseguição, mas ao mesmo tempo limitada pela vontade divina.
Maria continua sua missão. Está na Igreja. Maria deu o corpo à Jesus. E agora seu corpo se dá à nós pela Eucaristia. Há portanto uma estreita relação entre Maria e a Eucaristia. Devemos receber a Eucaristia meditando que se podemos receber hoje o Corpo de Cristo, foi Maria quem nos deu este Corpo. A fé de Maria foi coroada com a realidade maravilhosa que vive hoje. Mas sua fé deve ser lembrada e imitada, mesmo porque ela intercede para que permaneçamos com a mesma fé até o fim. Maria na igreja. A Igreja e Maria. A Mulher do Apocalipse é a mesma do Calvário e do paraíso. Ela que respeitou o Mistério está agora imersa no Mistério que acolheu: participa das tribulações dos seus filhos, mas ao mesmo tempo é para eles sinal de vitória, esperança nossa!


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