Formação

Santos inocentes, mártires inocentes

“Ouve-se em Ramá uma voz, lamentos e amargos soluços. É Rachel que chora os filhos, recusando ser consolada, porque já não existem” (Jr 31, 15).

No dia 28 de dezembro, a Igreja recorda os meninos inocentes de Belém e arredores, de idade inferior a dois anos, os quais conforme o relato do Evangelho, foram arrancados de suas mães e assassinados cruelmente por ordem de Herodes. Embora não tivessem uso da razão, morreram por Cristo Jesus e por isto a Igreja os honra como mártires.

Atualmente, vislumbramos uma nova matança de inocentes. Desta vez é triste reconhecê-la, tantas e tantas vezes perpetrada pelas próprias mães, através do aborto. Afinal, em que consiste o aborto voluntariamente provocado senão em um assassinato cometido pela própria mãe.

O feto, ou seja, o ser humano desde o momento da concepção é um ser distinto de sua mãe, embora seja dependente desta e traga em si muitas de suas características.

Eliminar uma vida, seja em que fase for de seu desenvolvimento, é um crime que viola a dignidade do homem. Contudo, observa-se que vai se disseminando a prática do aborto, consagrada e protegida por legislações com naturalidade.

Porém, desde o século VI, a Igreja tem honrado durante os dias procedentes ao Natal do Senhor aqueles que recebem no Oriente o nome de “Crianças Executadas” e no Ocidente o de “Santos Inocentes”.

Ao fazê-lo a Igreja rememora aqueles que foram condenados à morte “por Cristo”, no lugar daquele a quem a liturgia chama “O Cordeiro Inocente”. As crianças de Belém constituem as primícias dos redimidos: mesmo quando “careciam do uso da palavra para confessar a Cristo”, contudo, “foram coroados de glória em virtude do mistério do Nascimento de Cristo”.

Por meio deles, a Cruz se colocou junto ao presépio, sua morte é uma profecia da redenção. É mister acrescentar que o fato de honrar a estas crianças como mártires ilumina a própria natureza do martírio que é, antes de tudo, um dom gratuito do Senhor.


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