Shalom

Morre de amor o Amor.

Morte e vida te abraçam. E tu, ainda desejas o meu abraço. Saudoso. Recordando e sentido as dores do primeiro adeus. Ainda naquele jardim. Hoje, nesta sexta, queres reencontro. Um que não acabe mais. Sem despedidas.

Tu do alto da tua cruz, me aguardas. Eu, do alto de meu orgulho, não entendo. Fujo. Todos os dias. E vens me reconquistar. Fazendo da morte um detalhe. Da dor, um poema. Morres de amor. Para que o nosso amor nunca morra. Te entregas, no desejo que, cá, eu faça o mesmo.

E eu, teu inverso, me calo. Sem saber amar. Sem saber falar. Consigo apenas observar. Palavras se fazem desnecessárias. Nos entendemos no silêncio. Os olhares se falam. Teu olhar é prosa. O meu é verso borrado, lacrimejado.

Como apaixonado queres apenas minha presença. Proximidade da tua criação. Desfigurada pelo pecado. Fecho os olhos e encosto no teu peito, nova morada. Casa dos miseráveis. Do teu lado, o mesmo aberto por uma lança, escuto tua melodia. Silenciosa. Mansa. E, para alguns, insana. Recitadas por teus últimos suspiros.

Morte e vida te abraçam, pensando ser o fim. Pobre morte. Não é ponto final para quem ama. É o nosso abraço que fica para sempre. Numa árvore, com formato de cruz, morre de amor o amor. Tão apaixonado, como nunca fui. Tão desfigurado quanto consigo perceber que sou. Adormece nas mortes que há em mim. Morre de amor o amor.


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