Formação

Namoro e amizade

casal_amizade_namoroTrataremos aqui do namoro cristão com o objetivo de ajudar jovens e adultos a melhor viver esta fase da vida, que é um tempo de aprendizado e amadurecimento para um futuro relacionamento a dois, no matrimônio. Poderíamos dizer que o namoro é a porta que se abre àqueles que têm como projeto a construção de uma família. Namoro não é passatempo, não é programa de fim de semana, não é mera camaradagem, curtição, muito menos fuga de problemas familiares, medo de “sobrar”, imitação da moda (todo mundo faz), busca de autovalorização. Namoro é conhecimento mútuo, partilha de vida, tempo de crescimento e amadurecimento.

Namoro implica desejo e disposição de trilhar um caminho de crescimento a dois. Crescimento nos valores, nas virtudes, no amadurecimento e na capacidade de relacionar-se, em vista de objetivos que serão desvendados ao longo do caminho.

Implica em descoberta de si e do outro, no cultivo dos valores de uma autêntica amizade que, aos poucos, fortalece-se e se aprofunda no respeito mútuo. Ao mesmo tempo, no namoro deve-se manter a própria individualidade e autonomia, garantindo assim que o amadurecimento aconteça, até mesmo se posteriormente o relacionamento não prosseguir em direção ao noivado e ao matrimônio.

É óbvio que o namoro não se restringe ao campo da amizade, mas ela precisa crescer com a convivência através de valores que a permeiam, tais como: confiança e respeito mútuos; aceitação do outro, com suas virtudes e fraquezas; solidariedade; sinceridade e partilha.

O namoro precisa ser norteado por um sentido maior: o testemunho cristão, a realização de si e do outro, segundo uma aspiração profundamente cristã. Pelo namoro, as pessoas se preparam para a missão de serem esposos, de formar família e, principalmente, para a responsabilidade e a beleza de serem pais. Muitos casamentos são forçados, apressados e imaturos. Muitos se casam despreparados porque o namoro e o noivado não foram além da superficialidade dos costumes vigentes na sociedade, ou porque vivenciaram namoros reduzidos ao erotismo, à curtição, no sentido de “aproveitar a vida” de forma imediatista, prazerosa e até inconsequente.

Outros jovens, especialmente as jovens cristãs, no afã de realizar o sonho de casar e de serem mães, tendem a acelerar o processo de namoro. Até mesmo os dois, impulsionados pela paixão, desejam viver tudo rapidamente e se casam despreparados, sucumbindo, posteriormente, diante dos desafios próprios da vida de casados. O tempo do namoro deve ser vivido na busca de conhecer o outro na sua história de vida, no seu mistério, no seu modo de ser e de se relacionar. No conhecimento dos defeitos e virtudes, aptidões e interesses, para que sejam percebidas afinidades e diferenças e, a partir daí, saber até mesmo se o namoro deve continuar ou não. Cada um de nós é um mistério único e irrepetível que só poderá ser conhecido se for revelado com sinceridade e verdade. Se não houver verdade e abertura nesta revelação mútua, o namoro não poderá cumprir seu papel.

Muitos desperdiçam o tempo do namoro somente com diversão, na exploração do prazer que o outro pode favorecer, perdendo o foco e queimando etapas preciosas para a construção de uma união verdadeiramente duradoura e feliz no matrimônio. Muitos escondem suas fraquezas e se apresentam cheios de qualidades, contribuindo para que os dois permaneçam desconhecidos um para o outro. Relacionamentos assim estão fadados ao fracasso.

É essencial não ter medo da verdade, de se apresentar como se é, de mostrar a realidade da própria vida, dos pais, dos irmãos, da própria história familiar e pessoal, para que o relacionamento não seja fantasioso, construído por pessoas que não existem na concretude da vida. É preciso ter a saudável coragem de apresentar-se na verdade. É claro que isso vai ocorrendo progressivamente, na medida em que cresce a confiança mútua, o respeito e a própria liberdade interior.

O autoconhecimento e o conhecimento do outro, também no contexto da caminhada de namoro, precisam acontecer sob o pano de fundo do amor gratuito e incondicional a Deus. Por isso, é essencial que ambos tenham a experiência de uma vida de intimidade com o Senhor pela oração, pela vida sacramental e pela Palavra. Quando os dois vi- vem a espiritualidade, esse caminho é mais autêntico e menos sofrido.

PARA REFLETIR, REZAR E PARTILHAR

  1. Considero que meu namoro tem um norte definido, um caminho a ser trilhado? Comente sua resposta.
  2. Desejo realmente levar a sério o meu estado de vida, por meio de uma caminhada verdadeiramente cristã no namoro? Como? As respostas dadas individualmente e depois confrontadas a dois podem ajudar no conhecimento mútuo.
  3. Avalie as respostas e retire dessa reflexão um propósito concreto para este caminho de namoro. Escreva e depois parti- lhe com o formador pessoal e comunitário, ou, se você não é da Comunidade Shalom, com seu acompanhador do grupo de oração ou diretor espiritual.

Laura Martins

Livro “Namoro Cristão – Rumo à Maturidade no Amor”

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