Formação

O que a Igreja pensa sobre homossexualidade

Sobretudo desde quando foi realizada, em Buenos Aires, a primeira união civil argentina e latino-americana entre dois homens, o tema do “casamento entre homossexuais” tem ocupado muito espaço na mídia brasileira.

Um aspecto que tem sido colocado em evidência é o posicionamento da Igreja, especialmente no que foi manifestado pelo Cardeal Joseph Ratzinger, à época prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, através do documento “Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais”, do dia 3 de junho de 2004.

Pinçando algumas idéias isoladas e descontextualizadas, os jornais têm publicado uma visão parcial acerca do que pensa e diz a Igreja sobre isso. Tem até mesmo incitado a opinião pública contra a Igreja, lançando sobre ela uma imagem de preconceito e “perseguição” contra os homossexuais. Porém, o eixo central do documento trata, exatamente, de esclarecer o que vem a ser o matrimônio: “Nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só existe matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas. Assim se aperfeiçoam mutuamente para colaborar com Deus na geração e educação de novas vidas” (n. 2).

O documento prossegue: “o matrimônio é instituído pelo Criador como forma de vida em que se realiza aquela comunhão de pessoas que requer o exercício da faculdade sexual. ‘Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher e os dois tornar-se-ão uma só carne’ (Gn 2,24).

(…) Deus quis dar à união do homem e da mulher uma participação especial na sua obra criadora. Por isso, abençoou o homem e a mulher com as palavras: ‘Sede fecundos e multiplicai-vos’ (Gn 1,28). No plano do Criador, a complementaridade dos sexos e a fecundidade pertencem, portanto, à própria natureza da instituição do matrimônio” (n. 3).

Em virtude disso é que a união entre pessoas do mesmo sexo não deve se constituir matrimônio, logo, não deve ser legalizada.

Mas a postura com relação aos homossexuais continua a mesma que a Igreja sempre pregou. O documento, no parágrafo 4, diz: “os homens e as mulheres com tendências homossexuais devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Deve evitar-se, para com eles, qualquer atitude de injusta discriminação. Essas pessoas, por outro lado, são chamadas, como os demais cristãos, a viver a castidade. A inclinação homossexual é, todavia, objetivamente desordenada e as práticas homossexuais são pecados gravemente contrários à castidade”.

O que isso quer dizer? O Frei Antônio Moser explica: “Você pode ter tendência ao álcool e por isso nunca põe álcool na boca. Assim a pessoa pode ter tendência, mas nunca vai praticar atos homossexuais”.

O Papa João Paulo II, diversas vezes, referiu-se aos homossexuais como pessoas amadas por Deus. Há cerca de 10 anos, quando esteve em São Francisco da Califórnia, nos Estados Unidos, disse-lhes: “Deus vos ama. E Deus vos ama infinitamente”.

No Catecismo da Igreja Católica consta: “Um número não desprezível de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais. Eles não escolhem a sua condição de homossexuais; essa condição constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza (…) Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da Cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição” (n. 2358).

Portanto, nossa obrigação como católicos é reconhecer as pessoas homossexuais como filhas de Deus e respeitá-las. Entretanto – finalizando com o que diz o Cardeal Ratzinger – “o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo algum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais” (n. 11).

 

Isabela Maria de Sales

Form mar 2004


Comentários

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  1. A solidão existe para todo aquele que não tem senhor como sua salvação. .A verdadeira conversão. .Eu te indico um seminário de é vida no espírito santo e vc vai perceber que a alegria e a felicidade independente de ter parcerros. (Me desculpe pela intromissão )
    Deus abençoe seus caminhos

  2. Rodrigo,
    Obrigado por responder, ainda que eu não concorde com você, não posso deixar de reconhecer atenção que não tive em outros locais. Não pretendo continuar importunando. Sinto que preciso refletir numa frase sua “Seu conflito surge por não conseguir conjugar tanto amor que sente e tem´por Deus, com sua tendencia homossexual. ” Esta é uma forma diferente de abordagem que merece minha atenção. Nunca pensei nestes termos.
    Boa sorte.

  3. Saulo, é verdade, eu não conheço por experiencia a dor que um homossexual sente por sua condição. Mas eu posso imaginar. O sentimento de inferioridade, a sensação de ser uma mulher presa num corpo masculino, posso imaginar as xacotas e humilhações que vc recebeu ao longo de toda sua vida. E sofro com vc por isso. sou cristão assim como vc por isso percebo nas entrelinhas de sua fala um grande amor a Deus, Vc ama a Deus Saulo. E no fundo sabe que é muito amado por ele tambem. Seu conflito surge por não conseguir conjugar tanto amor que sente e tem´por Deus, com sua tendencia homossexual.
    Meu caro irmão, todo ser humano, trás dentro de si uma especie de solidão original, essa solidão o persegue durante toda a vida. Não raramente encontramos homens e mulheres casados, e mesmo alguns homossexuais que tem o habito de cultivar relações com muitos parceiros se queixarem de solidão. por vezes acontece de estarmos rodeados de muitas pessoas mesmo assim la no fundo nos sentirmos solitarios. Ha quem pense que a solução é mudar de esposa, marido, opção sexual sei lá. mas a lolidãp continua. Segundo o papa João Paulo II, essa solidão primordial revela primeiro a relatividade e fragilidade do amor humano, que por mais intenso que seja não será capaz nunca de preencher alguem plenamente, por outro lado essa solidão original é um aceno para a realidade de que o unico que pode preencher plenamente o homem é Deus. Quando lançamos sobre uma namorada, uma esposa, um amigo a responsabilidade por me fazer feliz e me saciar plenamente, eu estou lançando uma espectativa desleal sobre a pessoa. Nenhum ser humano suporta o fardo de fazer o outro plenamente feliz, só Deus. não seria esse o motivo de muitos homens e mulheres, não obstante as ambiguidades humanas fazem a opção pelo celibato, e encontram nisso o sentido e a razão da sua vida? voce poderia me dizer: Rodrigo, isso deveria ser uma opção e não uma imposição da circusntancias. É verdade, mas o verdadeiro livre se de fato é livre é capaz de escolher ate mesmo o que não escolheu. Eu tambem não escolhi meu sexo. não escolhi minha familia e outras tantas coisas que não escolhi. mas e dai? Preciso continuar vivendo. Ser homem vai muito alem de ser capaz de copular com uma mulher. ser homem esta ligado a sua dimensão ontologica, ou seja sua dimensão mais profunda, se os elemento educacionais ou outras circustancias fez com que sua sexualidade se orientasse de forma inadequada, foi um erro de percurso, sendo assim sempre podemos retomar o percurso correto, isso certamente não será tão tranquilo, por que ao inveredar por um caminho contrario eu volto com a poeira do caminho, o cansaço de ter que voltar onde errei e começar de novo. talves trará marcas pelo resto da vida. Mas vc sera um sobrevivente, e a vantagem de ser um sobrevivente, e que agente aprende a valorizar as pequenas coisas, as coisas que realmente vale a pena. Estou rezando para que a esperança renasça em voce, para que vc perceba, mesmo com suas tendencias homossexuais, Vc pode com a graça de Deus e com algum esforço se tornar um grande homem. Deus te abençoe irmão! a felicidade é uma tarefa, não demore muito começar.

  4. Meu objetivo foi mostrar que muitas vezes quem escreve nos sites desconhece totalmente o que é a existência homossexual e que a proposta de castidade pode levar a solidão. Não escrevi porque busco a felicidade. Não acredito mais que isto seja possível e os fatos de minha vida comprovam isso. Fui crucificado na adolescência quando descobri isto e nunca fui tirado da cruz. Vi a vida sorrir para todos os meus amigos. Jesus teve uma mãe olhando para ele na cruz e sofrendo com ele. Nem isso eu tive. Estive crucificado e só por anos e anos. O papa João Paulo II em sua carta Salvivici Doloris diz que podemos questionar Deus sobre o nosso sofrimento e que Ele espera por isso. Tenho apresentado a muitos católicos que escrevem em sites e blogs sobre homossexualidade mesmo para Bispos apresentando meus questionamentos( o que coloquei são apenas a ponta do iceberg). Não me respondem. Mesmo o Padre Paulo Ricardo que tem todas as respostas não respondeu. Racionalizo? Tudo o que me restou foi a razão.
    1 – Passado – O filho pródigo volta porque se lembra de um Pai amoroso. Eu me lembro apenas de um Pai cruel e indiferente a minha dor.
    2 – Presente- Posso ler o livro que você quiser. Passar o dia rezando e fazendo qualquer tipo de exercício espiritual, ou fazendo caridade. No meu quarto, a noite, ainda estarei sozinho, sem um mísero abraço, sem ninguém para um mísero diálogo. Num mundo de 7 bilhões de pessoas eu estou sozinho.
    3 – Futuro – A vida eterna compensará isso? Não! Durante oda a eternidade vou lembrar que meus amigos foram homens/machos e eu fui um…(qualquer termo pejorativo serve, deixo pra você escolher). Portanto, a eternidade não será um prêmio mas um castigo uma continuação desta humilhação.

  5. Percebo que mais uma vez, vc está racionalizando a coisa e lavando a problemática para o campo do destino. Usar o destino como parâmetro de vida é mais fácil, porque eu não preciso me responsabilizar pessoalmente por nada. Eu ao contrário acredito que em qualquer circunstância o homem é sempre livre para escolher, é tão livre que pode escolher o que não escolheu. As crianças judias,´foram mortas não por causa do destino ou por vontade de Deus, mas porque alguém usou sua liberdade para tirar a liberdade dos outros. A origem do mau no mundo está no pecado do homem, que inverteu a ordem natural da coisas condenando a si mesmo e seus irmão a uma vida miserável. Quem acha que caridade é solidão, estreiteza e depressão, não entendeu o que é a castidade. Castidade é capacidade de se dar aos outros de ama los de forma livre e gratuita. Nesse sentido Castidade é amplitude, abertura, liberdade e felicidade. Faça a experiência. Isso só será possível se sair da postura de vítima e fazer a difícil, saboriosa mas feliz escolha pela felicidade. Ser feliz é uma tarefa. Não nunca quis que você fosse um homossexual, a origem disso são outros fatores, educacionais, sociais etc. mas que vc pode escolher assumir uma decisão. Contínuo rezando. Deus te ama, ainda que vc não saiba disso. Sugiro que vc procure um livro nas livrarias Shalom ou no site chamado o amor de Deus.

  6. “Na vida é preciso entender que um nasce para sofrer enquanto outro ri.” (Azul da cor do mar-Tim Maia). Nem todos existem para serem felizes, Deus como qualquer pai tem seus prediletos aqueles criados num contexto objetivo que permite a felicidade e outros não. Os fatos comprovam isso. Certamente as crianças dos campos de concentração não foram criadas para a felicidade. Se a realidade objetiva (ser judeu) fosse outra (ser ariano) elas não teriam morrido. Sinto que é meu dever alertar aos jovens homossexuais católicos que a proposta da castidade leva a solidão e ao sofrimento, a depressão. Se eles fizerem esta opção devem estar cientes disso e vocês não devem esconder isso com propostas de acolhimento que a Igreja jamais objetivamente fará.

  7. Saulo, se por ventura vc encontrasse o culpado, o que vc faria? Suponhamos que vc saciasse sua sede de vingança, o que viria depois? O que mudaria? o perdão querido irmão da não somente a pessoa perdoada a oportunidade de começar de novo, mas principalmente a quem perdoa. Vc se diz condenado a existência. A existência está aí para ser significada, ela não tem um significado em si. Qual o significado vc quer dar a sua existência? Acho que condenação é um significado bastante duro pra se dar ao ato de existir. Já pensou em dar outro? Vc pode não ser livre pra mudar sua história e os fatos dolorosos presentes nela, mas sem dúvida é livre e responsável pela resposta que escolhe dar hoje a tudo isso. Saulo, eu sou bastante ocupado dificilmente paro para ficar conversando em redes sociais, mas o que me inquieta e me faz querer responder suas pastagens é saber que vc pode ser muito feliz, e fazer muito bem aos outros mesmo com suas tendências homossexuais. A vida é muito curta, não demore muito escolher ser feliz, apesar de. Deus te ama muito saiba disso, e só vc pode ser santo dessa forma. Não encare minhas palavras como se eu estivesse debatendo com vc. Estou do seu lado. Tow rezando por ti.

  8. Talvez haja sabedoria no que você diz, mas não há justiça. Eu não escolhi existir. Fui condenado a existência. “O amor conjugal não é a única forma de amor”, mas abrir mão dele deveria ser uma opção, e não decorrência de eventuais conflitos consequentes da realidade objetiva a qual eu condenado a existir. Não procuro culpados mas eles existem. Se a realidade objetiva que eu não escolhi(família, época de nascimento, condição genética, social, etc.) fossem outras este conflito poderia não existir. Sem este condição eu teria sido uma pessoa muito realizada, vejo meus amigos da época escola, devem ter seus conflitos, mas são pessoas realizadas felizes. Eu não queria muito, apenas o básico que é dado a todo mundo.

  9. Querido Saulo, Louvo sua sinceridade embora acho que sua orientação sexual seja algo muito íntimo para ser abordado numa rede social, mas tudo bem. De minha parte estou unido a vc na oração. Meu irmão todo ser humano trás dentro de si algum tipo de conflito. O homem é assim um lugar de conflito um espaço de contradição. Muitos desses conflitos simplesmente estão nas nossas vidas, não adianta procurar culpados. posso correr dois perigos, primeiro viver como se ele não existisse numa constante negação que com o tempo poderia se tornar patologica, ou segundo reconhecer que conflito existe e dar vazão a ele, ainda que me destrua e destrua os outros. Vc tem esse conflito sexual, é um fato. Mas vc não é obrigado a permitir que ele determine sua vida. Vc não é só isso, quando vc tiver coragem de ver sua vida, sua pessoa como um todo e não se ver de forma reducionista percebera que seu conflito sexual tem bem menos força do que vc imagina. Se vc me permite um conselho pare de procurar culpados, ainda que seja vc mesmo ou a igreja ou quem mais quiser culpar. assuma sua vida de forma responsável e decida por vc mesmo o que fazer com ela. O amor conjugal não é única forma de amor. Cultive amizades sadias, com todos homens, mulheres etc. Amé sem esperar nada em troca. Com o tempo vc vai conquistar o respeito e a admiração das pessoas por àquilo que vc é como um todo e não apenas por suas tendências sexuais. Lembre se vc é um homem, que trás conflitos mas quem não tem? Estou rezando por você. Shalom.

  10. Acreditei na Igreja e por toda vida adotei a castidade. Hoje estou sozinho e infeliz. Nunca fui acolhido. Na verdade não há espaço para pessoas como eu na Igreja. Talvez se tivesse feito escolhas diferentes não estaria sozinho.
    A Igreja casa pessoas idosas portanto a questão “colaborar com Deus na geração de novas vidas” não é verdadeiro. Durante muito tempo os casamentos eram arranjados e a Igreja abençoou todos eles. Nenhum de vocês sabe o que ser homossexual e pior tentar viver dentro do catolicismo. Cada vez mais me convenço que são coisas incompatíveis.