Formação

O que a Igreja pensa sobre homossexualidade

Isabela Maria de Sales

Sobretudo desde quando foi realizada, em Buenos Aires, a primeira união civil argentina e latino-americana entre dois homens, o tema do “casamento entre homossexuais” tem ocupado muito espaço na mídia brasileira.

Um aspecto que tem sido colocado em evidência é o posicionamento da Igreja, especialmente no que foi manifestado pelo Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, através do documento “Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais”, do dia 3 de junho deste ano.

Pinçando algumas idéias isoladas e descontextualizadas, os jornais têm publicado uma visão parcial acerca do que pensa e diz a Igreja sobre isso. Tem até mesmo incitado a opinião pública contra a Igreja, lançando sobre ela uma imagem de preconceito e “perseguição” contra os homossexuais. Porém, o eixo central do documento trata, exatamente, de esclarecer o que vem a ser o matrimônio: “Nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só existe matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas. Assim se aperfeiçoam mutuamente para colaborar com Deus na geração e educação de novas vidas” (n. 2).

O documento prossegue: “o matrimônio é instituído pelo Criador como forma de vida em que se realiza aquela comunhão de pessoas que requer o exercício da faculdade sexual. ‘Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher e os dois tornar-se-ão uma só carne’ (Gn 2,24).

(…) Deus quis dar à união do homem e da mulher uma participação especial na sua obra criadora. Por isso, abençoou o homem e a mulher com as palavras: ‘Sede fecundos e multiplicai-vos’ (Gn 1,28). No plano do Criador, a complementaridade dos sexos e a fecundidade pertencem, portanto, à própria natureza da instituição do matrimônio” (n. 3).

Em virtude disso é que a união entre pessoas do mesmo sexo não deve se constituir matrimônio, logo, não deve ser legalizada.

Mas a postura com relação aos homossexuais continua a mesma que a Igreja sempre pregou. O documento, no parágrafo 4, diz: “os homens e as mulheres com tendências homossexuais devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Deve evitar-se, para com eles, qualquer atitude de injusta discriminação. Essas pessoas, por outro lado, são chamadas, como os demais cristãos, a viver a castidade. A inclinação homossexual é, todavia, objetivamente desordenada e as práticas homossexuais são pecados gravemente contrários à castidade”.

O que isso quer dizer? O Frei Antônio Moser explica: “Você pode ter tendência ao álcool e por isso nunca põe álcool na boca. Assim a pessoa pode ter tendência, mas nunca vai praticar atos homossexuais”.

O Papa João Paulo II, diversas vezes, referiu-se aos homossexuais como pessoas amadas por Deus. Há cerca de 10 anos, quando esteve em São Francisco da Califórnia, nos Estados Unidos, disse-lhes: “Deus vos ama. E Deus vos ama infinitamente”.

No Catecismo da Igreja Católica consta: “Um número não desprezível de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais. Eles não escolhem a sua condição de homossexuais; essa condição constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza (…) Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da Cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição” (n. 2358).

Portanto, nossa obrigação como católicos é reconhecer as pessoas homossexuais como filhas de Deus e respeitá-las. Entretanto – finalizando com o que diz o Cardeal Ratzinger – “o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo algum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais” (n. 11).


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