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Formação

Organizando o armário da vida

Dizem que nosso armário reflete algo de nosso interior. Isso faz sentido.

As férias são o momento oportuno pra organizar o quarto, o armário e coisas que não temos tempo durante o ano. Nestas férias, reparei uma situação engraçada em meio às coisas que achei dentro do buraco negro que cada um de nós temos no nosso armário e de onde vão aparecendo as mais diversas coisas – estou guardando chaves que apareceram sabe Deus de onde e, sei lá, fico as mantendo, pois vai que algum dia apareça alguma porta que precise ser aberta.

No curso “Tecendo o Fio de Ouro” aprendemos sobre o armário da afetividade, em que a paixão faz todas as gavetas despencarem. Às vezes Deus é bem claro comigo, e nessa mesma semana que aprendi sobre a paixão, acredite, uma gaveta se soltou do meu guarda-roupa e a pancada resultante fez as duas outras gavetas e o lugar onde ficam os cabides caírem junto. São pequenos sinais que Deus nos dá. Pois bem, olhar o modo como organizamos nosso armário pode nos dar sinais sobre como estamos interiormente.

No armário, costumo guardar compartimentos de bagunças onde eu me organizo. Parece estranho, mas veja só: Uma caixa de “eletrônicos” só para CDs, DVDs (que não necessariamente vou ver ou ouvir novamente), porção de pilhas, dezenas de pendrives, celulares antigos que não funcionam, fones de ouvido e carregadores quebrados e outros objetos que preciso um dia dar um destino, mas por enquanto estão guardadas onde sei que posso encontrar.

Tenho uma caixa de imagens religiosas que estavam quebradas e que um dia vou dar um jeito de desfazer delas de forma digna. Há uma caixa com cartas, fotos, lembranças que trazem à memória as boas épocas da vida. Uma estante de livros que não uso mais, mas que um dia posso precisar para consultar alguma coisa. Uma caixa com todos os meus cadernos de oração desde a minha experiência com Deus (sim, eu tenho essa grande graça!). Algumas partes bem organizadas nos deixam orgulhosos, enquanto outras estão misturadas, mesmo que em caixas específicas para determinados conteúdos.

Toda vez em que vou arrumar o armário, saem sacos e sacos de lixo para serem jogados fora, mas parece que o armário nunca fica pronto. Sempre tenho a consciência que preciso arrumar muitas coisas. É um mundo lá dentro, um armário tão pequeno que espelha uma alma. E olha que sai muita coisa, parece que brotam de dentro do armário, quantidade de coisas que não precisavam estar lá, papeladas sem sentido, lixo, coisas que nunca vamos usar, mas guardamos mesmo assim. É assim na vida, não é?!

No armário estão guardadas lembranças e expectativas, recordações que despertam sentimentos e projetos de futuro, de que um dia posso fazer isso ou aquilo.

Nossa vida é um projeto inacabado dado a nós mesmos, como dizia Santo Agostinho, sempre há algo a fazer, algo a realizar, algo novo sempre pode sair do armário da vida, mesmo que lá já estivesse.

 Jesus disse que um escriba sempre tira coisas novas e velhas de seu bom tesouro.

O armário é lugar de memória. O armário é lugar de esperança. Muita coisa pra lembrar. Muita coisa a se desapegar. Muita coisa pra realmente jogar fora. Muita coisa pra se colocar no lugar, pra tirar da ideia e levar pra prática. Muita coisa que pode dar certo. E o ano novo é o tempo de me colocar diante desse armário, limpá-lo, passar aquele produto de limpeza com aquele cheirinho novo, tirar tudo de lá de dentro, contemplar e recolocar de uma forma nova, olhar de fora e poder recomeçar.

Nem sempre é fácil e nem é em um dia só, ter compartimentos de bagunças já é um avanço e é melhor que ter um armário com tudo jogado e misturado. É necessário um processo, é preciso ir abrindo as caixinhas e tomando atitudes concretas diante do que está guardado nelas. Assim como nas áreas da nossa vida (acredito que já está na cara que o armário é uma metáfora), o armário pode ficar de uma forma nova, que olhamos e nos orgulhamos, queremos até mostrar para os outros, mas é preciso ter a coragem e a desinstalação do comodismo.

 O passo é único e exclusivamente nosso, se não o dermos, passa o tempo e o armário estará do mesmo jeito ou pior. Pode até ser que alguém se compadeça e o arrume para nós: que coisa horrível, não é? Você não sabe mais onde estão suas coisas, não está do jeito que você gosta e você não se encontra, e está fadado a voltar bem rapidamente ao estado inicial ou pior.

Quem precisa trilhar o caminho de amadurecimento é você. O armário é um reflexo também da sua personalidade, vai ter uma cara, uma marca que só você poderá dar a ele. Quanto mais você tiver a coragem de abrir as caixinhas, jogar o velho fora, colocar tudo em ordem, dar destino ao que precisa ser dado e tirar as coisas do campo das ideias, mais ele se tornará um belo armário de uma forma que é só sua.

E aí, bora arrumar o armário?

Igor Rocha

(Discípulo da Comunidade de Aliança Shalom)


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