Imagem que representa um jovem fazendo uma revisão de vida
Revisão de Vida
Formação

Orientações para uma boa Revisão de Vida

Muitas vezes nós conseguimos ser fiéis às nossas penitências, mas olhamos realmente para nós e não vemos ainda uma verdadeira mudança de vida.

Vivemos recentemente um tempo muito importante para a Igreja: o tempo da quaresma. Este tempo especial nos prepara para vivermos a Páscoa do Senhor. Neste período, a Igreja nos chama a fazermos uma revisão de nossa vida de forma que ela nos leve a uma profunda e progressiva conversão, que nos ajude a tomar uma nova direção no longo caminho de configuração a Cristo.

No início da quaresma, ao recebermos as cinzas, escutamos o sacerdote dizer as seguintes palavras de Jesus: “convertei-vos e crede no evangelho”[1]. Sabemos que este tempo é de penitência, oração e jejum, mas nem sempre nos detemos nestes pontos ou pela correria do nosso dia a dia vamos nos esquecendo de vivê-los.  A quaresma é então o tempo de “redescoberta e aprofundamento do autêntico discípulo de Cristo”[2].

Esta conversão não é apenas moral, mas deve levar a pessoa a “pensar, a julgar e reordenar a sua vida, movido pela santidade e bondade de Deus (…)”[3] Este tempo deve nos levar a uma preparação para renovarmos o nosso batismo, o nosso desejo de termos uma vida de santidade.

Como está meu caminho de conversão?

Agora que estamos chegando ao fim da quaresma nos perguntamos: Como está o meu caminho de conversão ao evangelho? Nós geralmente fazemos penitências deixando de comer ou beber algo que gostamos, fazemos jejum das redes sociais, tentamos agir de forma diferente do que temos agido. Muitas vezes nós conseguimos ser fiéis as nossas penitências, mas olhamos realmente para nós e não vemos ainda uma verdadeira mudança de vida. Chegamos a dizer como o jovem rico[4] que já fazemos tudo que nos é pedido. O que está errado então? O que precisamos é de uma profunda revisão de vida que nos faça mergulhar na nossa consciência.

Revisão de vida

O Papa João Paulo II vai nos questionar na Exortação Apostólica Reconciliação e Penitência: “não vive o homem contemporâneo sob a ameaça de um eclipse da consciência, de uma deformação da consciência do entorpecimento ou de uma anestesia das consciências?”[5] Vemos também o Papa Francisco que nos tem falado, não poucas vezes, sobre o pecado, a corrupção e o mundanismo.

No fim da quaresma podemos então ter um bom momento parado com Deus para fazer uma revisão pessoal de tudo que estamos vivendo hoje em nossa vida como cristãos. Podemos dessa forma trilhar um caminho que nos leve a uma mais profunda e sincera mudança de vida.

  • Começamos nos perguntando como vivemos a nossa quaresma?
  • Eu consegui viver os propósitos que me fiz?
  • Estes propósitos me fizeram perceber uma necessidade de mudança em minha vida?

Como consagrado, em uma comunidade nova ou religioso, você pode se perguntar:

  • Tenho vivido os deveres do meu carisma na pobreza, obediência e castidade?
  • Eu vivo a radicalidade evangélica?
  • Como tenho vivido a vida comunitária com os meus irmãos?
  • Como vivo a vida contemplativa, a vida fraterna e a vida apostólica?

Não devemos mascarar os nossos erros

Precisamos fazer uma verdadeira revisão de nossa consciência pois “todos nós precisamos ter e formar uma consciência reta e delicada, que compreenda com facilidade a voz de Deus nos assuntos da vida cotidiana.”[6] Podemos nos perguntar se o que estamos vivendo no nosso trabalho é correto ou se estamos nos acostumando com a corrupção ao nosso redor.

Não devemos mascarar os nossos erros ou dar para nós mesmos falsas justificações, mas temos que ser verdadeiros e chamar nossas fraquezas e faltas pelos seus nomes, pois “a consciência que não quer reconhecer a suas faltas deixa o homem à mercê de seu próprio capricho.”[7]

Um ponto importante

Um ponto que devemos estar muito atentos são nossas atitudes frente aos pecados veniais muitas vezes cometidos deliberadamente como se fosse algo normal e que todo mundo cometesse. Temos que renovar a nossa consciência nisso também, pois “os pecados veniais quando não se luta para evitá-los ou não há suficiente contrição depois de cometê-los, causam um grande mal a alma, tornando-a insensível e indiferente as inspirações e moções do Espírito.”[8] Por isso, devemos nos perguntar como nos colocamos diante dos nossos pecados veniais?  

Sincero exame de consciência

Devemos então buscar fazer um sincero exame de consciência que nos tire do largo caminho que nos leva a perdição[9]. Uma das formas de fazermos isso é pela intimidade com a Palavra, “pois ela ilumina o conhecimento dos próprios pecados, chama a conversão e infunde confiança na misericórdia de Deus e nos ajuda a perceber o mal do pecado na perspectiva da aliança, isto é, a misteriosa relação nupcial de amor entre Deus e o seu povo.”[10] A palavra de Deus é assim instrumento essencial nesse caminho de conversão.

Como fazer um bom exame de consciência

Peçamos sempre que o Espírito venha iluminar  o nosso ser e nos manter em estado de alerta, nos ajudando a renovar a nossa consciência para que ela não se torne relaxada; nos ajude a reconhecer as ocasiões que nos leva a cair em pecados veniais e mortais para que possamos lutar contra eles;  e a sermos íntimos da Palavra de Deus. Que Ele nos dê a graça de unirmos a Jesus na sua páscoa para que, morrendo com Cristo, possamos ressuscitar homens novos para uma vida nova.

Shalom!

Por Neilson Pereira Alves
Seminarista da Comunidade de Vida Shalom

Referências

[1] Mc 1, 12 – 15

[2]   BERGAMINI, Augusto. Cristo festa da Igreja: história, teologia, espiritualidade e pastoral do ano litúrgico; tradução Euclides Martins Balancin. São Paulo: Paulinas, 1994

[3]Idem.

[4] Mt 19, 16 – 30

[5] Exortação Apostólica Reconciliação e Penitência. João Paulo II. Roma. 1984.

[6] CARVAJAL, Francisco Fernandes. Falar com Deus, Meditações para cada dia do ano. 3ª edição. Quadrante. São Paulo .1995

[7] idem

[8] idem

[9] Cf. Mt 7, 13 – 14

[10] BERGAMINI, Augusto. Cristo festa da Igreja: história, teologia, espiritualidade e pastoral do ano litúrgico; tradução Euclides Martins Balancin. São Paulo: Paulinas, 1994


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