Padre Deivide Marcklai com o Papa Francisco. Foto: arquivo pessoal.
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Padre conta como discerniu o chamado a partir de uma pregação de Moysés Azevedo

“Louvo e bendigo a Deus pelo ‘sim’ de Moysés que, quando jovem, ofertou seu bem mais precioso: sua juventude. Um sim fecundo que se espalhou pelo mundo com o nome de Comunidade Católica Shalom.

Uma viagem improvável, um desejo crescente de ouvir a Deus, uma decisão para a vida toda. O jovem Deivide Marckai nem imaginava que a viagem  de  mais de mil quilômetros realizada em 2007 o levaria a um lugar ainda mais longe. Hoje, o padre acadêmico da Universidade Alfonsiana, em Roma, relata seu testemunho de como descobriu a vontade de Deus em um Congresso de Jovens Shalom (CJS).

Jovem viajou mais de mil quilômetros para participar de pregação, em 2007. Imagem: reprodução Google Maps.

“Ser padre? Deus me livre”

O padre era o único da sua casa a frequentar a Igreja. “O grupo de coroinhas me atraía”, conta.  Com a sua imaginação infantil da época relata que ficava imaginando o quão poderoso era aquela figura do sacerdote. “Aquilo para mim era sublime demais. O sacerdote era quase um ser intocável e extremamente poderoso”, relembra.

“Cresci e entendi melhor o mistério do sacerdócio. Tirei da cabeça a ficção mas não o Mistério. Achava fantástico ‘o homem do altar’, mas aquilo era para todo mundo, menos para mim! O que eu queria era apenas ser feliz, ter um bom emprego, ter um futuro promissor. Ser padre? Deus me livre”, narra.

Padre Deivide Marcklai com o Papa Francisco. Foto: arquivo pessoal.

O desejo de crescer na fé

O contato do padre com a Comunidade Católica Shalom veio dos tempos que participava do grupo de coroinhas. Aos 15 anos, participou do Seminário de Vida no Espírito Santo na Comunidade. “A partir de então, passei a me engajar. Comecei a participar da Obra, do grupo de oração e me engajei em um ministério”, diz.

Serviu na lanchonete e depois assumiu trabalho voluntário no Economato. O desejo de crescer na fé era grande e o motivava a dar passos neste sentido. “As missas para mim eram momentos sempre sublimes, muito atraente e repleto de significados que iam além de minha pobre inteligência. A figura do sacerdote me era tão atraente e ao mesmo tempo repulsiva. Não! Ser padre, não! Eu quero ser feliz de outro modo”, racionava.

Moysés Azevedo.

A viagem rumo ao CJS 2007

Algo marcante aconteceu em 2007. “Quando eu ainda morava em Propriá (SE), veio até mim uma missionária da Comunidade chamada Ediane, que atualmente mora em Portugal. Uma mulher de grande fé, daquelas que todo mundo olha para situação e diz não vai dar certo e ela diz: ‘ah, gente, vai dar certo sim, vamos rezar que a gente consegue’”, conta.

O desafio lançado ao então jovem Deivide era o de viajar para Fortaleza para participar do Congresso de Jovens Shalom. Ali iniciava-se uma verdadeira saga. Dificuldades para se conseguir o transporte, desistência do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e liberação do trabalho foram alguns dos desafios enfrentados pelo jovem.

“O que fazer para ser feliz”

Momento marcante no Congresso destacado pelo padre foi a pregação “O que fazer para ser feliz”, ministrada por Moysés Azevedo, Fundador da Comunidade Shalom, baseada no episódio do encontro de Jesus com o jovem rico (Mt 19,16-26). “Puxa vida, eu, um jovem de dezesseis anos, que sempre quis a receita da felicidade, estava agora diante do dia em que poderia encontrar caminhos, indícios que me conduzissem a essa felicidade”, relembra.

“À medida que ele ia falando, meu coração se inquietava terrivelmente. Ali mesmo, eu começava um diálogo com Jesus. Eu dizia:  Senhor, eu sou muito novo. Tenho apenas 16 anos. Toda uma vida pela frente. Sou muito, muito jovem mesmo. Se for de tua vontade que eu te siga de forma mais intensa, não precisa ser agora. Pode ser depois. Se for desejo Teu, Senhor, Tu podes esperar mais um pouco. Mal eu tinha dito isto, o Moysés fala: Jovem, preste bem atenção no que eu vou te dizer: a única coisa, repito, a única coisa que tu tens para ofertar a Jesus, o bem mais precioso que tu tens para ofertar a Jesus, é a tua juventude”, conta.

Ao término da pregação, Moysés pediu aos jovens que naquela manhã quisessem ofertar sua vida a Jesus fossem até lá na frente e ficassem de joelhos. “Mesmo depois de ter ouvido tudo aquilo, era uma briga terrível de meu coração com a razão, porque o coração dizia: vá, entregue-se por inteiro ao Senhor. E a razão dizia: não vá, não vá, é um caminho sem volta. E todos os teus projetos, teus sonhos, teus ideais?”, confessa.

Então, decidiu e foi receber oração. “Então, veio uma mulher, que nem faço ideia até hoje de quem seja, e começou a rezar por mim. Lá pelas tantas, essa mulher diz que eu não tivesse dúvidas de que o Senhor me chamava ao sacerdócio. Bastava que eu me entregasse por inteiro nas mãos Dele, que o resto ele faria”, diz.

Padre Deivide em Roma. Foto: arquivo pessoal.

Um sim fecundo que se espalhou pelo mundo

Terminando o congresso, o jovem retornou para casa e procurou o promotor vocacional de sua Diocese. “Não pensei que Deus fosse ter tanta pressa em minha vida. Já era final de agosto ou setembro. Imaginem só que no dia 11 de fevereiro do ano seguinte (2008), no dia da Festa da Virgem de Lourdes eu ingressava no Seminário”, comemora.

“Louvo e bendigo a Deus pelo ‘sim’ de Moysés que, quando jovem, ofertou seu bem mais precioso: sua juventude. Sacrificou-se por causa de um bem maior. Um sim fecundo que se espalhou pelo mundo com o nome de Comunidade Católica Shalom. Quantas vidas transformadas, quantas famílias edificadas. Quantos jovens felizes. Tudo por causa do ‘sim’ de um jovem”, finaliza.


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