Shalom

Paternidade: missão divina no seio familiar e comunitário

Ser pai é refletir o sustento e a proteção do Pai para aqueles que Deus lhe confia. É ser como São José, atento à vontade de Deus, sendo pai biológico e espiritual, na sua missão divina no seio familiar e comunitário. Nesse dia dos pais, contemplando o dom da paternidade que permeia o Carisma, conversamos com homens que, dentre tantos, são agraciados por esse chamado divino de serem os protetores do lar, refletindo São José em seus respectivos chamados dentro do Carisma Shalom.

Deus que me escutou como pai

O Diácono Luís Silva, ordenado na Diocese de Guarulhos, é pai de gêmeas consagradas na Comunidade de Aliança, e partilhou conosco como o chamado das filhas a vocação Shalom foi uma resposta de Deus às suas orações de pai:

“Para mim, o encontro das minhas filhas com a Comunidade Católica Shalom foi uma resposta de Deus aos meus pedidos e aos de minha esposa, para que elas descobrissem o caminho que o Senhor Jesus, o Shalom do Pai, já havia traçado para suas vidas, conforme a Carta aos Efésios (cf. Ef 1, 3-14), pois como São Francisco de Assis nos ensinou, assim sempre foi o sonho da minha vida que elas fossem instrumentos da Paz!

O fato delas se decidirem pela vocação Shalom foi maravilhoso, mas não foi simples. O começo da missão em Guarulhos, onde também pude ajudar no que foi necessário, foi composto por lutas com pontos positivos, como quando a Tatiana partiu em missão, mesmo que isso nos custasse muitas lágrimas, não porque estivéssemos contra, mas simplesmente porque um pai sente a distância de uma filha. Onde, sabendo que foi por Deus, a vi voltar depois de três anos de missão, e fazer os votos definitivos como Comunidade de Aliança. 

Já a Talita, que também é consagrada da Comunidade de Aliança, encontrou outra forma de viver o Carisma Shalom, servindo no ministério de Oração e Aconselhamento, entre tantos outros serviços realizados na Comunidade, bem como com seu esposo Edson que também é consagrado definitivo no Carisma! A Talita ensina o Método Billings, e com seus três filhos me alegra o coração, pois sei que está no lugar preparado por Deus para ela. A Tatiana também conheceu seu esposo, Felipe, na Comunidade e tem dois filhos que completam nossa alegria!

Eu sou o pai mais feliz do mundo, e como diz a Palavra de Deus proclamada na minha ordenação diaconal: se um homem não sabe cuidar da sua casa, como pode servir a Igreja? (cf. 1 Tm, 3).

Sei que cometi muitos erros, como pecador que sou, mas se tenho uma certeza na vida é que Deus me atendeu no pedido que fiz para que minhas filhas encontrassem o Caminho da Santidade, que é dentro da vocação Shalom, para dar testemunho do Cristo crucificado, loucura para o mundo, mas sabedoria de Deus para nós”!

Paternidade que faz parte da minha consagração de vida

Edimilson Sena, consagrado definitivo da Comunidade de Aliança, partilhou também conosco o dom de sua paternidade e como esta faz parte da sua consagração de vida no Carisma:

“O dom da paternidade é uma dádiva muito grande, é uma graça que complementa totalmente a minha vida de consagrado. As experiências que eu tenho como pai e também como filho fazem com que a minha resposta de consagrado seja mais eficaz, faz com que ela tenha um sentido”.

Sou pai a pouco tempo e tenho dois filhos: o Gustavo de 3 anos e o Luiz Eduardo de 1 ano e 4 meses. Com eles eu aprendi a ser mais humano, e com eles eu também aprendo a paciência, a docilidade, o respeito… E muito mais que isso, eu aprendendo a amar! Muitas das experiências que eu tenho com Deus como Pai, são experiências que eu tenho com os meus filhos. Lembro-me que uma vez, em uma situação onde eu tive que corrigir o Gustavo, eu precisei ser firme na correção e ele foi para o quarto chorando, sendo que aquilo partiu o meu coração. Alguns momentos depois, refletindo, Deus trouxe ao meu coração que era assim que muitas vezes Ele agia comigo, onde me amando, mas sendo firme, que me corrigia justamente por me amar. Ali, naquele momento, eu tive uma profunda experiência com a misericórdia de Deus.

Através da paternidade, Deus me faz mais decidido em buscá-Lo, em me deixar ser amado, em deixar-me ser cuidado por Deus, sabendo da sua infinita misericórdia. A paternidade não é algo à parte da minha vocação, ela implica também na minha consagração, na minha resposta à Deus, porque também é nos meus filhos que eu amo a Deus, é nos meus filhos que eu  também desposo a Deus

Sou muito feliz pela paternidade, pela graça da paternidade, onde vejo que os meus filhos não são o essencial, mas fazem parte do essencial”.

Paternidade que transpõe os limites da humanidade

Valter, consagrado da Comunidade de Aliança e celibatário pelo Reino dos Céus, nos conta como a dimensão da paternidade se fez presente em toda a sua vida, alcançando toda a humanidade através do seu estado de vida:

“O ser pai é algo desafiante, mas também muito caro. É uma realidade na qual eu vejo um ensinamento de Deus, onde Ele se manifesta todos os dias. Na minha família somos em 4 irmãos e 2 irmãs, e eu sou um dos mais velhos, o primeiro homem da casa. Assim, sempre existiu aquela realidade de cuidado, de preocupação, de ser o responsável pelos mais novos. Algo muito mais concreto por um afilhado meu, que também é meu irmão caçula. 

Antes de ingressar na Comunidade tive um relacionamento, no qual ficamos juntos por 7 anos e tivemos uma filha, que hoje tem 11 anos, a Maria Fernanda. Convivi com ela, após o seu nascimento, apenas a um ano, e tocar nesse assunto para mim é muito dolorido, mas que também hoje, para mim, traz um desejo muito grande de poder participar da vida dela. Esta é uma realidade muito especial, pois nesse ano que convivi com ela pude ver o quanto ela é a ‘minha cara’, e pude estar atento a um simples choro, a uma realidade de estar preocupado se está tudo bem. Hoje ofereço isto a Deus, acreditando que Ele vai providenciar o momento de retomar essa realidade, esse contato de pai com a filha.

Como pai espiritual, desde quando eu tive a minha experiência com Deus, comecei a participar do grupo de oração e me tornei coordenador. Como sabemos, ser pastor de grupo de oração é ser pai também, é ser aquele que também toma a frente, olhando as necessidades das ovelhas. Hoje eu sou acompanhador vocacional e formador pessoal, e ser pai para mim é dar do amor de Deus para os filhos que Ele mesmo me confiou neste tempo, me permitindo transbordar desse Amor, pois todas as outras coisas vêm como consequência desse transbordar do amor de Deus. Assim, é muito especial para mim ser pai, é muito belo ver os meus filhos crescendo, como vão avançando. Porque vejo que essa paternidade não se detém num pai bravo, que dá “carão”, mas num pai que ama e que acolhe o filho e que, acima de tudo, busca em Deus essa experiência de acolher e vivenciar o crescimento dos seus filhos, e é essa experiência que Deus tem me confiado. 

Hoje, como celibatário, essa realidade da paternidade se estende, vai além, não somente para aqueles que Deus me confia, mas como tudo para todos, para toda a humanidade. Hoje, como consagrado, como celibatário, Deus vai muito além da minha humanidade, daquilo que consigo com meu amor humano, mas somente com o amor que todos os dias vivencio com Deus. Então, para mim, ser pai é zelar, cuidar, acolher, estar com os meus filhos, com quem Deus me confia, a viver com eles, e não condenar, mas acolher. E hoje os meus filhos me ensinam muito mais sobre o “ser pai”, onde eles me deixam os conhecer. Acolher a todos aqueles os quais Deus me confia com o amor dEle, pois todas as outras coisas virão por acréscimo, pela misericórdia e pelo perdão. Tudo a partir desse amor”. 

Por Jéssica Verônica

 

     

 

 


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