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Pílula do dia seguinte: A Igreja apresenta ao governo mexicano ar

Fala D. Aguilar Martínez, presidente da Comissão episcopal para a Família

Há aproximadamente dois meses, a pílula –que segundo cientistas pode ser abortiva– circula no quadro básico de medicamentos promovidos pelo setor oficial da saúde.

–Qual é a situação atual em torno da «pílula do dia seguinte» no México?

–D. Aguilar Martínez: Tornaram-se oficiais algumas decisões do governo sobre o contraceptivo de emergência, mais conhecido como “pílula do dia seguinte”. Nós nos opusemos, apoiando a Doutrina da Igreja em estudos científicos que mencionam que a pílula pode ser abortiva.

–Sempre é abortiva?

–D. Aguilar Martínez: Nem sempre, mas pode ser. Em que caso? Quando a pílula impede a implantação do óvulo fecundado. Quando o óvulo está fecundado, já se iniciou a vida humana. Se lhe impede sua implantação, está se impedindo um desenvolvimento que já iniciou. Isto, cientificamente, está demonstrado. Os que falam que a pílula não é abortiva, falam de gravidez quando o óvulo já tenha se implantado. Se isto é defendido, se dá o contraste com a postura científica na qual se apóia a Igreja.

–Mas, a imprensa não diz o contrario?

–D. Aguilar Martínez: Sim, mas neste caso a Igreja não se apóia em questões de fé, mas em questões científicas que não são contrárias nem com a razão nem com a fé.

–Há disposição, por parte do governo do México, de escutar a Igreja?

–D. Aguilar Martínez: Não sabemos se estão dispostos ou não a nos escutar, mas a escutar a todos os cientistas. Para mim essa é a grande esperança: que escutem a todos os cientistas, especialmente aqueles cientistas que são médicos. Mas, se já é uma postura definida…

–O senhor acredita nisso? O governo definiu a disposição de por em circulação o contraceptivo de emergência?

–D. Aguilar Martínez: Não vejo com clareza se é o que pretendo o governo mexicano.

–O que podemos esperar, se for aprovada esta pílula e se for proposta como parte do pacote básico de medicamentos do Setor de Saúde Mexicano?

–D. Aguilar Martínez: Infelizmente podem se dar outras muitas decisões errôneas, por exemplo, os passos que já se davam para a eutanásia, a maneira com que se iniciava a apresentar a homossexualidade como uma opção natural que, até mesmo, se converta em um direito e que torne “raros” os heterossexuais…. Estamos dando passos laterais, igualando a outros paises que equiparam o matrimônio com as uniões homossexuais.

–Fala-se de «ampliação de direitos»…

–D. Aguilar Martínez: Um direito não pode agir contra a própria pessoa. O que se está tergiversando é o sentido antropológico do que é essencial ao ser humano. Estamos entrando em uma contradição na qual crêem que a postura da Igreja é antiquada, retrograda, obscurantista: mas essas são as conseqüências do que chamava o Papa Bento XVI de «a ditadura do relativismo». Esse sentido de tolerância, de abertura a tudo, fez com que já não existam valores absolutos, universais.


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