Unsplash
Formação

Por que chamar de amor o que não é amor?

Tudo aquilo que não é amor, quanto mais se tem, mais vazios deixa. No entanto, quando o amor é vivido em plenitude, ele produz uma extraordinária força.

Falar de amor é muito fácil. Todo mundo acha que o conhece, alguns creem que ele é ilusório e muitos julgam dá-lo da maneira mais perfeita. Mas o frequente sofrimento que ele causa na maioria das pessoas deveria levá-las a perguntar-se se o que costumam conceber como “amor” realmente o é.

Quais são as “fontes” nas quais se bebe e se aprende o que significa amar? Em geral, as pessoas se inspiram nas poesias, na música e nos próprios hormônios, que fervem na adolescência e tentam incinerar o corpo com o impulso sexual descontrolado, arrastando a vida em uma perigosa espiral que, quanto mais se quer sair dela, mais ela arrasta ao fundo do abismo do vazio.

Infelizmente, a experiência do amor tem sido conduzida pelos impulsos, deixando de lado sua essência, que é a doação, a oblação. Ao conceber o amor como instinto, muitos deixam que a natureza se encarregue de educá-lo – algo que ela nunca fará e que acabará nos levando de maneira irremediável a viver a vida inteira dependendo da paixão, do sexo, da afetividade, que são apenas faíscas do amor.

E, assim, ao invés de amar, as pessoas vão remendando a vida.

A falsa noção de amor pode custar caro

A superficialidade de um prazer que preenche por instantes, mas que esvazia cada vez mais a alma sedenta. Porque o amor não foi feito para quem quer viver na periferia da pele, para quem nunca quis ir além do seu próprio hedonismo nem para quem se considera como o umbigo do universo.

O amor não foi feito para quem quer viver na periferia da pele

O amor é uma experiência para quem quer sair das margens da existência; o amor foi feito para os que sabem ver além do que desejam para si mesmos e sabem o que querem também para os outros.

O amor é uma arte e, como tal, precisa de educação, aprendizagem, paciência, possibilidade de erros e acertos, mas, sobretudo, precisa de um professor. Este professor, claro está, não pode ser qualquer pessoa: precisa ser o inventor do amor, aquele que se define como “o Amor”, Deus.

Para amar, é preciso conhecer o amor, e Deus é o Amor. Qualquer coisa que fuja disso correrá sempre o risco de ser unicamente uma caricatura dele e, portanto, só produzirá mais e mais vazio interior.

Tudo aquilo que não é amor, quanto mais se tem, mais vazios deixa. No entanto, quando o amor é vivido em plenitude, ele produz uma extraordinária força, que faz a vida brilhar em uma permanente doação de si mesmos aos outros.

Só existe uma forma: a forma do Criador

Não existem outras maneiras, nem aquilo que chamamos de “meu jeito” de amar, que não é outra coisa senão um estilo disfarçado de amor ou um pretexto superficial para fazê-lo da forma mais equivocada, sem compromisso de vida.

No amor, não há retratação, não há taxas, não há tamanhos. Não há retratação porque, quando se ama, ama-se para sempre; não há taxas porque o amor não se entrega em cotas ou pedaços, de maneira fragmentada; e não há tamanhos, porque no amor não existe um “muito” nem um “pouco”.

Quando se ama, ama-se para sempre

O que existe no amor é um aperfeiçoamento, uma qualificação da experiência, que nos permite amadurecer a cada dia e crescer constantemente, até levá-lo a ser um amor capaz de entregar a vida.

É por tudo isso que não acredito no amor daqueles que só sabem enxergar as curvas da sua namorada, dos que exibem a beleza do seu parceiro como um troféu conquistado, daqueles que acreditam que é melhor ser bonito que bondoso, dos que acham que “ter química” é a única coisa que importa.

Não acredito no amor daqueles que se deixam cegar pelo coração sem ouvir a razão, dos que são capazes de pisar nos outros para conseguir o que desejam, daqueles que não se incomodam em destruir um relacionamento para ficar com alguém que preenche sua egoísta felicidade, dos que supõem que o prazer é sinônimo de amor e que, quando a cruz surge no horizonte, fogem dela.

Enfim, não acredito naqueles que acham que qualquer impulso hormonal pode ser chamado de “amor”.

Fonte: Aleteia


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *