Formação

QUANDO ALGUÉM SE PERDE PELOS IRMÃOS SE ENCONTRA A SI MESMO

Marquinhos

De uma outra forma, podemos estar inseridos em comunidade. Seja a nossa família, nossa paróquia, nosso grupo de oração: Vivemos todos inseridos nestas dimensões que são nada menos do que expressões de um chamado comum a todos os homens.

Quando Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, criou-o para a comunhão.

Revelou-se ao homem como Amor, Deus-Trindade e Comunhão chamado a participar de uma íntima relação com ele e a uma comunhão interpessoal , isto é chamam-o à fraternidade universal. É essa a mais alta vocação do homem: entrar em comunhão com Deus e com os outros homens, seus irmãos.

A Alguns, de forma particular, Deus chama a seguí-Lo mais de perto, e em suas mais variadas formas, estes constituem-se em comunidades religiosas que abraçam o chamado de Deus a uma vida fraterna mais intensa e profunda.

Antes de ser construção humana, a Comunidade religiosa é um dom do Espírito, porque tem sua origem no Amor de Deus difundindo nos corações por meio do Espírito Santo. Por isso só é possível compreendermos a Comunidade Religiosa partindo do fato dela ser dom do Alto, do seu mistério, e estar radicada no coração da Trindade Santa e santificante, que a faz e a quer como parte do mistério da Igreja para a vida do mundo.

Quando alguém se perde pelos irmãos…

A Comunhão é um dom gratuito mas que exige também uma resposta. Por isso, parte de cada irmão que, chamado a viver na Comunidade, dispõe-se a cooperar com seu esforço pessoal para construir uma comunhão encarnada.

Para viver como irmãos e irmãs é necessário um verdadeiro caminho de libertação interior. Não podemos ser ingênuos e precisamos lembrar que o Caminho que vai do homem velho, que tende a fechar-se em si mesmo, até o homem novo, que se doa aos outros, é longo e cansativo. De fato, não é algo espontâneo nem uma realização que se consiga em breve tempo.

Cristo dá à pessoa duas certezas fundamentais: a de ser infinitamente amada e a de poder amar sem limites. A sua cruz é o que nos dá essa garantia. Graças a essas certezas é que podemos caminhar numa libertação progressiva da necessidade de colocarmo-nos no centro de tudo, de possuir o outro e do medo de doar-se aos irmãos.

O amor de Cristo, difundido em nossos corações, impele-nos a amar os irmãos e irmãs até o assumir suas fraquezas, seus problemas, suas dificuldades. Em suma até a doar-nos a nós mesmos.

Isto exige a coragem da renuncia a si mesmo para aceitar e acolher o outro.

Figura-se aqui um caminho de ascese, necessário e insubstituível para qualquer caminho de libertação. Uma comunidade sem mística não tem alma, mas sem ascese não tem corpo. E esta cooperação entre o dom de Deus e o esforço pessoal que dá consistência à Graça e ao dom da Comunhão fraterna.

… Encontra-se a si mesmo.

Enquanto a sociedade ocidental aplaude a pessoa que sabe realizar-se por si mesma, o Evangelho exige pessoas que, como o grão de trigo, sabem morrer para si mesmas para que renasça a vida fraterna. Quando alguém se perde pelos irmãos, se encontra a si mesmo. É uma atitude típica de um homem interiormente livre.

É assim que a Comunidade se transforma em escola de amor onde se aprende a amar a Deus, aos irmãos e à humanidade inteira tão necessitada da misericórdia de Deus.

É escola de amor, ainda que edificada sobre a fraqueza humana, porque é sempre possível melhorar e caminhar juntas, quando a Comunidade sabe viver o perdão e o amor. São construtoras de uma unidade conquistada e estabelecida a preço da reconciliação.

Deve ainda cultivar as qualidades humanas necessárias em todas as relações humanas como educação, gentileza, sinceridade, auto-controle, delicadeza, senso de humor, espírito de partilha, para favorecer a comunhão dos espíritos.

E por fim, sempre lembrar que a Paz e a alegria de estar juntos são um dos sinais do Reino de Deus. Esta alegria já faz parte do Reino. Uma fraternidade sem alegria é uma fraternidade que se apaga. É muito importante cultivar esta alegria no seio da Comunidade. A alegria é um esplêndido (testemunho- é esta palavra mesmo?) do caráter evangélico de uma Comunidade religiosa.

A SEXUALIDADE HUMANA E A VOCAÇÃO DO CORPO

Muitas vezes por falta de compreendermos o significado de coisas muito simples perdemos a riqueza de aspectos da vida cristã que são fundamentais. Como por exemplo: ao falarmos de corporeidade e de sexualidade.

Ficaremos surpresos ao descobrir como Deus ao nos criar e dar-nos um corpo quis revelar ao homem dimensões importantíssimas de sua vocação. E mais ainda, como a sexualidade humana traz em si normas, exigências que ela mesma faz para poder se desenvolver.

Não mais estaríamos falando de regras ………….(não consegui interpretar a palavra) externas que às vezes nos fazem cair no puro moralismo, mas partiríamos de uma compreensão de nossa própria natureza caminhando em busca de crescimento.

É assim que expondo a sexualidade humana à luz do Mistério de Cristo é que podemos enxerga-la como um chamado a realizar aquela Caridade que o Espírito Santo infundiu em nossos corações.

A sexualidade é uma componente fundamental da nossa personalidade. É um modo de ser e de se manifestar, de comunicar-se com o outro, de sentir, de expressar e de viver o amor humano. Portanto ela é a chave para o desenvolvimento harmonioso da nossa personalidade.

Faz-se necessário compreender que esta abrange não somente o plano físico, mas também o plano psicológico e o plano espiritual, marcando toda sua expressão.

Orienta-la, eleva-la e integrá-la pelo amor é o único meio de torná-la verdadeiramente humana.
Jesusindicou-nos também, pela Palavra e pelo exemplo, a Vocação ao celibato, a virgindade por causa do Reino dos Céus.

O celibatário, por não estar condicionado às obrigações nupciais, está mais disponível para o amor gratuito dos irmãos. Exprime melhor a doação de Cristo ao Pai pelos irmãos e melhor prefigura a realidade da vida eterna.

Se por um lado implica numa renúncia ao amor típico do matrimônio, por outro assume de um modo mais profundo e evidenciado essa dinâmica do amor oblativo aos outros, que é um aspecto inerente à sexualidade.

Em suma, a sexualidade é chamada a exprimir valores diversos a que correspondem exigências morais específicas, no diálogo interpessoal e na abertura ao dom de si. A vida afetiva, própria de cada sexo exprime-se de modo característico nos diversos estados de vida ; no matrimônio, no celibato, naqueles que caminham em um processo de discernimento. Integrar a sexualidade, ordená-la para o amor, é o dever de cada cristão.

Para chegarmos a uma concepção cristã do homem e de sua sexualidade devemos antes atribuir, ou mais que isso, reconhecer ao corpo humano a sua função particular: O corpo contribui para revelar o sentido da vida e da vocação humana.

Ao que chamaremos de ora em diante de corporiedade definiremos como sendo o modo particular, específico de existir e de agir que é próprio do espírito humano.

Em poucas palavras: O corpo revela o homem.

Este primeiro significado é de natureza antropológica, mas há também um significado de natureza teologal: O corpo participa na revelação de Deus e de seu amor criador enquanto manifesta o homem como criatura.

Deus criou o homem, criou-o alma e corpo. O corpo é testemunha da criação, portanto não pode ser compreendido senão sob a ótica do amor de Deus, do amor com o qual foi criado. Desse dom do amor o corpo procede e a ele está ligado em uma íntima relação de dependência que imprime no homem um caráter oblativo, essencial para se entender a sua vocação.

O corpo enquanto sexuado exprime a vocação do homem à reciprocidade, isto é, ao amor e ao mútuo dom de si.

Deus criou o homem e a mulher para dizer-lhes que, em sua diversidade, são iguais em natureza e em dignidade.

Ao mesmo tempo semelhantes para se compreenderem a diferentes para se completarem.

Ser homem e ser mulher constituem dois modos segundo os quais a criatura humana realiza a sua participação no ser divino pois foram criados à imagem e semelhança de Deus.

Por sua natureza, a pessoa humana exige uma relação de (autoridade? ). Por isso, o homem e a mulher, realizam completamente a sua vocação não só como pessoas singulares, mas também como casal.

Orientados, para a união e fecundidade, o homem e a mulher casados participam do amor criador de Deus, vivendo a comunhão com ele através do outro.

O pecado obscurece a percepção deste aspecto, mas seu significado permanece inscrito no profundo do coração humano como uma exigência do dom recebido.

“ Somente no Mistério do Verbo Encarnado encontra verdadeira Luz o mistério do homem.” (Gs,22). Assim é que se compreende que a nossa existência humana não pode encontrar seu significado fundamental se não for sob a luz do nosso chamado a participar, mais ainda, viver a vida divina .

Fonte: Revista Shalom Maná


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