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Quero o meu amor de volta

O namoro não pode ser muito longo e que não é bom demorar muito para perceber se se trata ou não da pessoa certa

Gostaria de dirigir esta reflexão para a situação daqueles que ainda não casaram, pois me parece que a existência do vínculo matrimonial merece um tratamento mais delicado, embora também estejam previstas na moral católica algumas razões que justificam a separação, e que permitiriam aplicar às pessoas separadas muito do que vamos dizer.

É geralmente muito doloroso o processo de terminar uma relação, inclusive naquelas situações nas quais isso é percebido como necessário pelas duas partes. Em certa ocasião, um amigo me pediu um conselho sobre o seu namoro, no sentido de dar um passo adiante em direção ao noivado, ou se devia esperar mais. Eu disse a ele que se, depois do tempo de namoro que eles dois já tinham, ainda não estava disposto a se comprometer mais com a sua namorada, era melhor dar por terminada a relação.

Por que eu disse isso para ele? Porque acho que, muitas vezes, os namoros se sustentam na simples necessidade de não estar sozinho, de estar acompanhado por alguém, e não num discernimento sério para saber se essa pessoa é realmente aquela com a qual quero formar uma família e passar o resto dos meus dias, até a velhice.

Um amigo, que trabalhou na preparação de noivos na minha diocese, numa ocasião deu uma palestra sobre este assunto, e dizia aos que participaram que o namoro não pode ser muito longo e que não é bom demorar muito para perceber se se trata ou não da pessoa certa.

Uma dica que ele dava era sentar para conversar a sério com o namorado ou a namorada, sobre coisas importantes, para ver se as opiniões eram compatíveis, como, por exemplo, as ideias que cada um tem sobre como criar os filhos, ou até mesmo sobre a abertura à vida, a uma família numerosa. Como é sabido, isto é fundamental para um casal católico. Não interessam temas mais acessórios, como por exemplo para que time torce cada um; isto não representa um empecilho para a relação.

Tudo isso pode parecer muito pouco romântico, e peço por isso desculpas ao leitor. Queria citar aqui algumas ideias do livro “Amor e responsabilidade”, de Karol Wojtyla, depois São João Paulo II, que insiste muito no tema da verificação do amor, isto é, na necessidade de perguntar-se, antes de declarar o amor para outra pessoa, sobre a natureza real desse amor, desse vínculo que existe entre as duas pessoas.

O que nos une? Se nos une, por exemplo, simplesmente o prazer que experimentamos quando estamos juntos, e nada mais, então não estamos falando ainda de verdadeiro amor. Sem tirar importância deste elemento, ensina Wojtyla que o mais importante é que os cônjuges sejam realmente amigos, isto é, estejam comprometidos reciprocamente com o verdadeiro bem do outro, ajudando-se na realização plena da sua vocação, a qual os levará a felicidade desejada por Deus para ambos.

Queria chamar a atenção para uma palavra que não pode passar despercebida neste pensamento de Wojtyla, que é a “reciprocidade”. Trata-se de uma das características do amor conjugal, sem o qual ele não existe entre as pessoas, mas apenas numa delas, como o que coloquialmente se chama de “amor platônico”. Isto é, uma ideia na cabeça da pessoa, mas que não tem nenhum sustento na experiência real.

É importante estar atento a este fenômeno, que pode ser percebido quando alguém quer insistir em tentar manter uma relação, contra a vontade da outra pessoa. Wojtyla explica que mais do que amor, neste caso estamos diante de um sentimento que vegeta no interior da pessoa, que a fecha em si mesma e a impede de aceitar a realidade.

Esta aceitação pode ser em ocasiões muito duras e, penso eu, deve ser ocasião para, em meio à desolação que ela produz, encontrar acolhida e consolo no Sagrado Coração de Jesus e no Imaculado Coração de Maria, numa vida de oração mais intensa, recorrendo com frequência aos Sacramentos, também na confiança de que Deus, se estamos realmente chamados à vocação matrimonial, colocará em nosso caminho a pessoa certa, com a qual possamos formar uma família e passar o resto dos nossos dias.


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