UM CAMINHO A SEGUIR

Baluarte da Comunidade Shalom, Santa Teresa de Jesus é celebrada no dia 15 de Outubro. Você sabe como a espiritualidade teresiana influenciou a Vocação? Emmir Nogueira, cofundadora, partilha um pouco dessa experiência neste especial.

Conversamos com Josefa Alves, missionária apaixonada por Teresa de Jesus. Ela testemunhou como surgiu essa amizade e ainda pontou causos que viveu por conta da Carmelita. Além disso, confira as características marcantes da Baluarte e leia um encontro poético entre ela e sua discípula, Teresinha do Menino Jesus.

O que Teresa de Ávila falaria aos jovens de hoje? Frei Patrício Sciadini arrisca dizer. Poemas oracionais de nossa intercessora no Céu foram declamados pelos artistas da Cia de Artes Shalom. Escutá-los pode ajudar você a rezar melhor com cada palavra dela. Por fim, aproveite as dicas de leitura.

Aprendemos com Teresa


 

Santa Teresa "entrou" na Vocação Shalom através de dois religiosos: um jesuíta e um franciscano. Emmir Nogueira, cofundadora da Comunidade Católica Shalom, conta como os primeiros membros entraram em contato com a espiritualidade teresiana.

A esperteza da Carmelita

“Dá-me o que Tu queres, vida ou morte!”, diz Santa Teresa. Que coragem! Mas o pior, a maior valentia de Teresa vem adiante quando ela diz: "Dá-me inferno ou paraíso!” Já pensou? Você teria a coragem de dizer isso a Deus? Pois é, Santa Teresa teve. Parece insanidade, mas, na verdade, é amor. É abandono. É confiança absoluta, irrestrita. Entrega total nas mãos de Deus: Ele sabe o que é melhor para mim.

Atenção! Não o que eu mereço - porque não mereço nada - Tudo é Graça de Deus - Mas o que é melhor para mim. Por outro lado, é esperteza de Teresa. Ela sabe bem que Deus é amor. Ela sabe que Ele deu a vida por nós. Sabe que é o Deus da vida e não da morte. Sabe que a cruz de Jesus abriu para nós o céu, não o inferno.

Esperta essa Teresa. Pede que Deus escolha o que Ele mesmo já escolheu: VIDA e CÉU. Feliz vida eterna. Sábia e sabida, Teresa se submete, tranquila, à vontade de Deus que só quer o seu bem. Prefere confiar-se à Sua vontade do que à própria vontade de “mulherzinha fraca e cega”, como ela se auto denomina. Ganhou ‘de uma só tacada’, a vida eterna, a ressurreição dos mortos e o Céu.

Entrevista Especial


 

Aos 15 anos, Josefa Alves, missionária da Comunidade Shalom, leu Caminho de Perfeição e ficou apaixonada por Santa Teresa de Jesus. Nesta entrevista especial, ela partilha por que a Carmelita é exemplo de mulher e referência de missionária.

Discípula e Mestra


 

Você sabia que Teresinha do Menino Jesus e Teresa de Jesus não são a mesma pessoa? Encontrar alguém que as confunda não é difícil. Para ajudar a distingui-las, reunimos características básicas de cada uma.

Santa Teresinha do Menino Jesus

Carmelita
Naturalidade: Francesa
Nascimento: 02/10/1873
Alençon (França)
Morte: 30/09/1897
Lisieux (França)
Canonização: 17/05/1925
(Papa Pio XI)
Festa Litúrgica: 01/10
Padroeira das missões

Santa Teresa de Jesus (ou d'Ávila)

Carmelita
Naturalidade: Espanhola
Nascimento: 28/03/1515
Gotarrendura (Espanha)
Morte: 04/10/1582
Ávila (Espanha)
Canonização: 12/03/1622
(Papa Gregório XV)
Festa Litúrgia: 15/10
Padroeira dos religiosos


Disparate poético


 

Pode parecer um disparate, mas imaginei um encontro[1] entre Santa Teresa de Ávila e Santa Teresa de Lisieux, coisa que só poderei ver quando chegar no céu, mas acho que elas não vão me reprovar!

Duas santas doutoras da Igreja, duas místicas, duas carmelitas, duas mulheres apaixonadas por Jesus, dois corações missionários; são sensibilidades diferentes, certamente, mas as diferenças históricas, de linguagem e de percepção, só revelam a unidade que havia entre elas.

Com o olhar voltado para o alto, vejo Teresa dirigir-se ao Esposo de sua alma:

“Soberana Majestade, e Sabedoria Eterna,
Caridade a mim tão terna, Deus uno, Suma Bondade,
olhai que a minha ruindade toda amor,
vos canta assim: Que mandais fazer de mim?”

E com o semblante sereno e decidido, Teresinha, expressa o seu grande desejo:

“Desejo cumprir perfeitamente vossa vontade
e chegar ao grau de glória que me preparastes em vosso reino;
em uma palavra, desejo ser Santa, mas sinto minha impotência
e vos peço, ó meu Deus! Que sejais vós mesmo minha Santidade.”

Nesse momento, com um sorriso pleno de gratidão, ouço Teresa proclamar:

“Vossa sou, pois me criastes. Vossa, porque me remistes.
Vossa, porque me atraístes e porque me suportastes.
Vossa, porque me esperastes e me salvastes por fim:
Que mandais fazer de mim?”

Consigo vislumbrar o mesmo sorriso no olhar de Teresinha, atenta à voz da Madre, e em seguida declara:

“Como vós me amastes a ponto de me dar vosso Filho único
para ser meu Salvador e meu Esposo,
os tesouros infinitos de seus méritos são meus.”

Teresa, provada pelo amor e fortalecida pela graça, não hesita em dizer:

“Que mandais, pois, Bom Senhor, que faça tão vil criado?
Qual ofício me haveis dado, a este escravo pecador?
Amor Doce, Doce Amor, vede-me aqui fraca e ruim:
Que mandais fazer de mim?
Eis aqui meu coração, deponho-o em vossa palma.
Minhas entranhas, minha alma, meu corpo, vida e afeição.
Doce Esposo e Redenção, a vós, entregar-me vim:
Que mandais fazer de mim?”

Quando recobrei o fôlego, dirigi o olhar para Teresinha, ansiosa em ouvir suas palavras:

“Sinto em meu coração desejos imensos,
e é confiante que vos peço que tomeis posse de minha alma.”

Cada palavra de Teresa escondia e desvelava as exigências do Amor em sua vida. Seus desejos eram sinais de confiança e abandono:

“Morte dai-me, dai-me vida,
saúde ou moléstia dai-me.
Honra ou desonra mandai-me.
Dai-me paz ou guerra sem fim.
Seja eu fraca ou destemida, a tudo direi sim:
Que mandais fazer de mim?
Dai-me riqueza ou pobreza, exaltação ou labéu.
Daí alegria ou tristeza. Dai-me inferno ou dai-me céu.
Doce Vida, Sol sem véu, pois me rendi toda enfim:
Que mandais fazer de mim?”

Acho que até senti o perfume suave da pequena Teresa, que como vítima de holocausto ao Amor Misericordioso, preencheu o ambiente, elevando nossas mentes e corações:

“Eu gostaria de vos consolar da ingratidão dos maus
e vos suplico que retireis de mim a liberdade de vos desagradar
se por fraqueza caio às vezes, que imediatamente
vosso Divino Olhar purifique a minha alma,
consumindo todas as minhas imperfeições,
como o fogo que transforma todas as coisas nele mesmo…”

Teresa lhe sorria, vendo naquela jovem uma grande santa. E com aquela simplicidade própria dos humildes levantou-se, e parecia ter a altura de um gigante, pois sua alma não desejava coisas pequenas.

“Se quereis, dai-me oração. Se não, dai-me soledade.
Abundância e devoção, ou míngua e esterilidade.
Soberana Majestade, a paz só encontro assim:
Que mandais fazer de mim?
Dai-me, pois, Sabedoria ou, por amor, ignorância.
Anos dai-me abundância ou fome e carestia.
Dai-me treva ou claro dia, vicissitudes sem fim:
Que mandais fazer de mim?”

Após contemplar, radiante, cada expressão de Teresa, ouvi dos lábios de Teresinha um louvor de fé e confiança em Deus, um testemunho de quem experimentou que nada na nossa vida está fora do olhar misericordioso de Deus:

“Eu vos agradeço, ó meu Deus!
por todas as graças que me concedestes,
em particular por me terdes feito passar pelo crisol do sofrimento.”

Com determinada determinação, Teresa ensinava que “um coração inflamado de amor, tudo realiza, a tudo se dispõe”[2].

“Se me quereis descansando, por amor o quero estar.
Se me mandais trabalhar, morrer quero trabalhando.
Dizei: onde? Como? quando? Dizei, Doce Amor, por fim:
Que mandais fazer de mim? Dai-me Calvário ou Tabor,
deserto ou terra abundante.
Seja eu como Jó na dor, ou João sobre o peito amante.
Seja uma vinha luxuriante ou, se quereis, vinha ruim:
Que mandais fazer de mim?”

E Teresinha não conteve a explosão do amor que ardia em seu íntimo. Estava pronta a tudo, como é próprio de quem ama. Era visível que seu coração já estava ancorado na eternidade:

“É com alegria que vos contemplarei no último dia,
levando o cetro da Cruz; como vos dignastes
partilhar comigo essa Cruz tão preciosa,
espero ser semelhante a vós, no Céu,
e ver brilhar em meu corpo glorificado
os sagrados estigmas de vossa Paixão…”

Sabendo que tudo passa e que só Deus basta, Teresa ainda falou, quase como um desabafo:

“Ou José encarcerado ou José Senhor do Egito.
Ou Davi sofrendo aflito, ou Davi já sublimado.
Ou Jonas ao mar lançado, ou Jonas salvo por fim:
Que mandais fazer de mim?”

O que mais Teresinha podia dizer?

“Depois do exílio da terra, espero ir comprazer-me de vós na Pátria,
mas não quero acumular méritos para o Céu;
quero trabalhar somente para o vosso Amor,
com o único objetivo de vos dar prazer,
consolar vosso Sagrado Coração
e salvar almas que vos amarão eternamente.”

De repente, me dei conta de que eu nem deveria estar ali, porém não ousei dar um passo sequer. As palavras que ouvia não eram promessas ou desejos imaturos, ao contrário, eram os frutos de uma experiência autêntica de Deus.

“Já calada, já falando,
traga frutos ou não traga.
Veja eu na lei minha chaga,
ou goze Evangelho brando.
Quer fruindo, quer penando,
sede a minha vida, enfim!
Que mandais fazer de mim?”
E Teresinha completou,
quase como um “amém”:
Não quero nenhum outro Trono
nem Coroa senão vós,
ó meu Bem-Amado!

E continuou:

Quero, ó meu Bem-Amado,
a cada batida de meu coração
renovar esta oferenda um número infinito de vezes,
até que, uma vez dissipadas as sombras, eu possa redizer
o meu Amor em um Face a Face Eterno!…

As palavras de Teresa, eram as únicas que cabiam naquele momento:

Pois sou vossa e Vós meu fim: que mandais fazer de mim?”

É bem fácil imaginar como terminou esse momento: em Deus, e de Deus aos irmãos! Porque a autêntica vida de oração tem sempre esse duplo movimento. A graça de Deus nos transforma e nos envia, contudo esse envio não é um afastamento dEle, porque quanto mais mergulhamos no seu Amor, mais somos transformados, e mais desejamos amar e tudo fazer por amor a Ele. Ao ponto de dizermos, como Teresa: “Que mandais fazer de mim?”

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[1] O texto cita o poema “Nas mãos de Deus”, de Santa Teresa de Ávila, e o “Ato de oferecimento ao Amor Misericordioso”, de Santa Teresa de Lisieux.

[2] COMUNIDADE CATÓLICA SHALOM, Escrito Amor Esponsal, 11.

Características da Carmelita


 

As características de Santa Teresa de Ávila são para aqueles que trilham um caminho espiritual referências importantíssimas. Para ser íntimo do Amado, é preciso sobretudo a humildade e a verdade.

 

Conselhos para os jovens


 

"Amem a si mesmo". Esse seria o primeiro conselho de Santa Teresa de Jesus para os jovens de hoje, segundo Frei Patrício Sciadini. Confira a seguir as outras propostas apresentadas pelo religioso.

 

Para escutar e rezar


 

As orações de nossa Baluarte interpretadas pelos artistas da Cia de Artes Shalom podem ajudar bastante a contemplar a beleza da alma rendida a Deus. Os poemas conseguem descrever muitas vezes as experiências que a alma vivencia unida ao Amor. Eles expressam ainda o desejo ardente pela intimidade profunda na oração com o Senhor.

 

Dicas de Leitura


 

Reunimos livros e matérias para você ler mais sobre a vida de Santa Teresa de Jesus. Ela amava ler. Os livros eram uma companhia constante em sua vida.

  • 1 - Obras Completas: Uma coleção de todos os escritos teresianos, incluindo as mais de 400 cartas.
  • 2 - Leve a Sério sua Vida Espiritual: O livro apresenta um caminho de aprendizado sobre a vida de oração profunda aos moldes de Santa Teresa de Jesus.
  • 3 - As Fundações de Santa Teresa de Ávila:  A obra é enriquecida por comentários e notas doutrinais de Frei Patrício Sciadini.
  • 4 - Itinerário Espiritual: O livro traz a fisionomia da oração e da espiritualidade de Santa Teresa.
  • 5 - Só Deus Basta: A obra traz a vida e os pensamentos de Teresa de Jesus.

 

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